quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O verdadeiro sentido do Natal



Por Visão Transcendente

A festa do Natal (segunda maior festa para os católicos, atrás apenas da Páscoa) foi secularizada no mundo moderno. Transformaram a celebração da encarnação de Deus em uma data de celebração das futilidades humanas.

Para o comércio é o momento ideal de aumentar os lucros. Para uma parte das pessoas é o momento da folga, de descansar do trabalho. Para outros é a ocasião de viajar. Para outros mais é o dia da bebedeira, é uma festa a mais para "curtir".

Em vez do presépio, a árvore, ao invés da imagem do menino Deus, o papai Noel é o simbolo. 

Muitas famílias se reúnem, mas não para agradecer a Deus que se encarnou para nos salvar, e sim para celebrar a si mesmos. Quem tá bem vestido, quem tá mal vestido? Qual é o melhor presente, o mais caro? Qual é a casa mais bem decorada, com detalhes mais "chiques" e requintados? É isso o que interessa, e não se responde a pergunta fundamental: Será que durante o ano que passou eu fui grato a Deus pelo enormíssimo dom que é a vinda de seu Filho ao mundo? Tenho eu correspondido ao amor de Jesus por mim?

Na festa em que mais se devia exaltar a pobreza e a simplicidade, acaba se tornando para muitos o dia da gastança, da ostentação e dos grandes banquetes. 

Solidariedade? Caridade? Reconciliação? Perdão? O que é tudo isso mesmo? Nós queremos é saber do presente que vão nos dar, da festança que vamos participar. O negócio é festejar o meu bem estar com os amigos, e os necessitados é que se preocupem em melhorar a própria vida. 

Rezar em família? Pra que isso? Ir à Missa do Natal? Não! É melhor ficar em casa mesmo ou na casa dos amigos ou na festança lá do clube.

Diante desse cenário é urgente que comecemos uma mudança para retornarmos ao sentido verdadeiro do Natal. Que entre nossas famílias não seja assim como é no mundo de hoje, mas que possamos recristianizar o Natal. Centrar novamente em Cristo a atenção. Recuperar o simbologia original desse dia e os seus significados. Refazer o sentido religioso dessa celebração: rezar em Família, cantar o "Noite Feliz", participar da Missa na igreja matriz. Trocar presentes sim, mas sem esquecer de fazer caridade com aqueles que mais necessitam: os pobres, os solitários, os carentes de afeição. 

O verdadeiro significado do Natal é o amor. João 3, 16-17 diz: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele." O verdadeiro significado do Natal é a celebração deste ato de amor incrível.

A verdadeira história do Natal é a história de Deus se tornando um ser humano na Pessoa de Jesus Cristo. Por que Deus fez isso? Porque Ele nos ama! Por que o Natal foi necessário? Porque precisávamos de um Salvador! Por que Deus nos ama tanto? Porque Ele é o próprio amor (1ª João 4, 8). Por que celebramos o Natal a cada ano? Como gratidão pelo que Deus fez por nós, lembramo-nos do Seu nascimento através da troca de presentes, quando o adoramos e ao sermos especialmente conscientes dos pobres e dos menos afortunados.

O verdadeiro significado do Natal é o amor. Deus amou os Seus e forneceu uma maneira -- a única maneira -- para passarmos a eternidade em Sua presença. Ele deu o Seu único Filho para carregar em nosso lugar a punição por nossos pecados. Jesus pagou o preço por completo e, quando aceitamos esse dom gratuito do amor, somos livres da condenação. "Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós" (Romanos 5, 8).

sábado, 19 de dezembro de 2015

O amor é o cumprimento total da Lei


Da Carta de São Paulo aos Romanos, capítulo 13, versículos do 8 até o 14

Não tenham nenhuma dívida com ninguém, a não ser a dívida do amor mútuo. Pois quem ama o outro cumpriu a Lei. De fato, os mandamentos: "não cometa adultério", "não mate", "não roube", "não cobice", e qualquer outro, todos eles se resumem nesta palavra: "Ame seu próximo como a si mesmo". O amor não faz nenhum mal ao próximo, pois o amor é o cumprimento total da Lei.

Comportem-se assim, sobretudo reconhecendo o tempo decisivo em que vivemos. Já é hora de acordarmos do sono, pois nossa salvação está mais próxima agora do que quando abraçamos a fé. A noite está para acabar, e o dia se aproxima. Portanto, joguemos fora as obras das trevas e vistamos as armas da luz. Vivamos decentemente, como convém durante o dia: não em orgias e bebedeiras, não em devassidão e libertinagem, não em brigas e invejas. Mas vistam-se do Senhor Jesus Cristo, e não busquem satisfazer os desejos da carne.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

O amor de Deus é água que estanca a sede



De Santo Afonso Maria de Ligório, Novena do Divino Espírito Santo

O amor de Deus também é chamado "fonte viva". Nosso Salvador disse à samaritana: "Quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede" (Jo 4, 14). O amor de Deus é uma água que mata a sede; pois quem de fato ama a Deus já nada mais busca e deseja, achando em Deus todo o bem. Alegre e contente exclama: "Meu Deus e meu tudo". Por isso o Senhor se queixa de tantas almas que mendigam míseros e passageiros gozos às criaturas, deixando o infinito Bem, a fonte de todas as alegrias. "A mim, a fonte das águas vivas, deixaram, e cavaram cisternas, cisternas fendidas que não contêm água" (Jr 2, 12). Deus nos ama e quer nos ver felizes, por isso exclama: "Se alguém tem sede, venha a mim" (Jo 7, 37). Quem deseja ser feliz venha a mim para eu lhe dar o Espírito Santo, que o tornará feliz na terra e bem-aventurado no céu. E continua dizendo: "Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva manarão do seu interior" (Jo 7, 38). Quem crer e amar a Jesus Cristo será enriquecido de tantas graças que do seu coração, isto é, sua vontade, fluirão fontes de santas virtudes que não só conservarão nele mesmo a vida da graça mas também farão que outros a alcancem. Esta água de que fala o Salvador é o Espírito Santo, o Amor essencial que prometeu mandar depois de sua ascensão: "E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado porque Jesus ainda não tinha sido glorificado" (Jo 7, 39).

A chave com a qual abrimos a porta a esta água santificante é a santa oração que nos alcança todo o bem, conforme a palavra do Redentor: "Pedi e recebereis". Somos cegos, mendigos, miseráveis; mas pela oração recebemos luz, força e todos os tesouros da graça. Teodoreto diz: "A oração, sendo uma única, recebe tudo". Quem pede recebe o que deseja. Deus quer nos dar suas graças, mas exige que lhas peçamos.

Com a samaritana vos peço, meu Jesus: Dai-me esta água do vosso amor para que esqueça tudo o que é terreno e viva só para vós que sois imensamente amável. "Irrigai o que é seco". Minha alma é como terra seca que não dá senão os espinhos e abrolhos do pecado. Refrigerai-a com vossa graça para produzir antes da minha morte algum fruto para vossa maior glória. Ó fonte de água viva, meu sumo bem, quantas vezes vos abandonei para buscar gozos impuros pelos quais perdi vosso amor. Oxalá morresse antes de vos ter ofendido. Para o futuro nada quero procurar a não ser a vós, meu Deus. Ajudai-me e fazei que vos fique fiel.

Maria, minha esperança, protegei-me sob vosso manto. Amém.   

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Que todas as coisas graves se devem suportar pela vida eterna


Da Imitação de Cristo, livro III, capítulo XLVII

JESUS: Filho, não te deixes quebrantar pelos trabalhos empreendidos por meu amor, nem desanimes nas tribulações; mas em tudo que te suceder, te consolem e fortifiquem minhas promessas. Sou assaz poderoso para te recompensar além de todo limite e medida. Não lidarás aqui muito tempo, nem sempre estarás acabrunhado de dores. Espera um pouco e verás em breve o fim de teus males. Hora virá em que cessará todo trabalho e inquietação. É de pouco valor e duração o que passa com o tempo.

Faz o que podes fazer, trabalha fielmente em minha vinha, e "eu serei tua recompensa" (Gn 15, 1). Escreve, lê, canta, geme, cala, ora e sofre varonilmente toda adversidade; a vida eterna é digna dessas e outras maiores pelejas. Virá a paz um dia que o Senhor sabe, e não haverá mais nem dia nem noite, como no presente, mas luz perpétua, claridade infinita, paz firme e seguro repouso. Não dirás então: Quem me livrará deste corpo de morte? (Rm 7, 24), nem exclamarás: Ai de mim, que se tem prolongado o meu desterro! (Sl 119, 5). Porque a morte será destruída e a salvação será eterna; livre de toda ansiedade, gozarás deliciosa alegria, em meio de agradável e brilhante companhia.

Oh! se visses as coroas imarcescíveis dos santos no céu, e a glória em que já exultam aqueles que outrora, aos olhos do mundo, eram desprezados e reputados quase indignos da vida; com certeza, logo te humilharias até ao pó e desejarias antes obedecer a todos que a um só a mandar. Nem cobiçarias os dias felizes desta vida, mas antes te alegrarias de ser atribulado por amor de Deus, e considerarias grande vantagem o ser tido por nada entre os homens.

Oh! se achasses gosto nessas coisas e elas penetrassem profundamente no coração, como poderias ousar proferir uma só queixa? Porventura haverá pena que não se deva sofrer pela vida eterna? Certo que não é pouco perder ou ganhar o Reino de Deus. Ergue, pois, os olhos ao céu. Eis-me aqui com todos os meus santos; eles, que neste mundo sustentaram grandes combates, ora se rejubilam, ora estão consolados e estão seguros, ora gozam o repouso e permanecerão para sempre comigo no Reino de meu Pai.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A Igreja não anuncia a si mesma

"A frase que devemos trazer nos lábios não é: 'Venha para minha igreja se encontrar com Jesus', mas sim: 'Conheça Jesus e prepara-se para a mudança que Ele vai operar na sua vida'."


Por Visão Transcendente

Frequentemente nós ouvimos frases do tipo: "Todo batizado deve ser um evangelizador", "Todos nós que somos cristãos devemos construir o Reino de Deus a partir deste mundo". Tudo isso é verdade, mas cabem os questionamentos: O que é mesmo evangelizar? Qual é o conteúdo essencial da mensagem evangélica? O que eu devo falar às pessoas?

A Igreja não anuncia a si mesma, mas sim a "Jesus Cristo, e este, crucificado" (1ª Coríntios 2, 2). Esse é um conceito muito importante e que necessita ser assimilado por cada um de nós na tarefa que temos, de "levar" Jesus às pessoas e "impregnar" a realidade social da mensagem evangélica.

Evangelizar é justamente isso: apresentar Jesus Cristo ao mundo. O verdadeiro Jesus, homem e Deus; pobre, perseguido, desprezado, traído, morto, crucificado, mas ressurreto gloriosamente; o Jesus amoroso que acolhia a todos e curava o corpo e a alma; o Jesus que não veio abolir a Lei, mas dá-lhe pleno cumprimento e também Aquele que transcende a própria Lei e mostra o rosto misericordioso do Pai. O conteúdo essencial da mensagem evangélica é Jesus Cristo mesmo, ou seja, o acontecimento de que Deus veio a este mundo, se encarnou em um homem, viveu como nós em tudo, exceto no pecado, nos ensinou o caminho da vida, morreu para pagar os nossos pecados e ressuscitou dos mortos, para nos abrir um novo horizonte de esperança nessa vida. O que nós devemos falar para as pessoas? Dele, de Jesus Cristo, o que Ele fez e ensinou e da sua própria existência. E também de tudo o que de bom nos aconteceu por termos sido "encontrados" por Ele. Evangelizar é isso. Tudo o mais é secundário ou então é acréscimo humano.

Nós nos equivocamos todas as vezes que achamos que fazendo propaganda do nosso grupo, do nosso movimento, do nosso carisma e da nossa "espiritualidade" nós estamos anunciando Jesus. Na verdade isso é marketing e não evangelização. Devoções e rituais fazem parte da vida espiritual, mas não são também o essencial da mensagem que somos chamados a propagar.

A frase que devemos trazer nos lábios não é: "Venha para minha igreja se encontrar com Jesus", mas sim: "Conheça Jesus e prepara-se para a mudança que Ele vai operar na sua vida".

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Desintoxicar a vida

"Para desintoxicar a vida, Deus, através da Igreja, nos oferece um manancial de opções, cada uma mais poderosa do que a outra."



Por Visão Transcendente

Na lida do dia a dia temos que conviver com as mais variadas pessoas e situações. Nem sempre o que ouvimos e vemos nos fazem bem. A convivência social pode nos tornar pessoas más e insensíveis se não tivermos prudência. E mesmo ás vezes com uma boa "dose" de prudência nós acabamos "contaminados" pela mundanidade.

Quantas vezes fazendo um exame de consciência, "revisitando" as atitudes do dia a dia, você não pensou: "Mas fui eu quem disse aquilo mesmo?", "Porque eu apoiei determinada má conduta de alguém, se eu sou completamente contrário a isso?", "Porque diabos corroborei a afirmação completamente desonesta de fulano?", "Como eu pude ser tão insensível diante de determinada situação?", "Como eu pude ser tão covarde e omisso naquele determinado momento?", "Como eu fui capaz de ser tão estúpido com sicrano?".

O pensamento mundano vai entrando na sua mente e fazendo com que, pouco a pouco, sem perceber, você diga e faça coisas contrárias ao que você no fundo acredita e gostaria de falar e fazer.

É necessário o quanto antes dar um basta nesse processo, senão, logo logo, você se tornará uma pessoa mundana: má, desonesta e insensível. É necessária uma conversão, uma desintoxicação de todo esse lixo espiritual.

Um dos princípios espirituais mais fundamentais é este: "Quem não vive como pensa, acaba pensando como vive". Reflita sobre essa frase e você verá como é a mais pura verdade.

Para desintoxicar a vida, nos colocando de novo no "prumo", exorcizando os maus pensamentos e revigorando o ardor espiritual, Deus, através da Igreja, nos oferece um manancial de opções, cada uma mais poderosa do que a outra. Vamos ao "catálogo":

- uma oração simples, mas profunda, silenciosa e solitária, usando de suas próprias palavras você abrirá o coração ao Senhor, e vai acontecer o que diz na música: "Toda vez que eu oro, eu me sinto feliz e me arrependo do que errado eu fiz. Sua força invade todo o meu viver, transfigurando todo o meu ser".

- a reza do Santo Terço, bem meditado. Com a mãe de Deus perscrutar os inefáveis mistérios da nossa salvação e perceber o imenso amor de Deus pela humanidade, e mergulhar nesse amor.

- a leitura da Bíblia Sagrada. Especialmente os Evangelhos, as Cartas Apostólicas e os Salmos tem um poder excepcional de revigorar o fervor espiritual e realinhar o nosso pensamento.

- uma Confissão sacramental bem feita, sem medo, precedida por um exame de consciência sério, honesto e profundo. É uma lavagem total da alma.

- uma visita ao Santíssimo Sacramento para adorar o Criador. É um retorno ao sentido da própria existência, estar a sós com aquele que mais nos ama e que mais merece ser amado neste mundo.

- e, por fim, o mais importante: receber Jesus na Santa Missa. Sem palavras, não tem nada igual. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A visão religiosa do mundo atual e a verdade cristã

Nesse vídeo postado abaixo, que convido você a assistir, o Padre Duarte Sousa da Diocese de Lamego (Portugal) faz uma importante reflexão sobre a visão religiosa comum a maioria das pessoas em contraste com a verdade anunciada por Jesus.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Confiar em Deus no insucesso e no fracasso

"Cabe a nós transformarmos os insucessos e fracassos em provações que nos levem para a Vida ou em tentações que nos conduzam para a morte." 


Por Visão Transcendente

Dizer que temos fé nos momentos de abundância, tranquilidade e prosperidade é fácil. Dizer "Deus me abençoa" e "Obrigado Senhor" nos momentos de vitórias e alegrias é fácil também. Mas permanecer confiantes na bondade divina nos momentos em que tudo dá errado é difícil. São nesses momentos em que se dá a prova da fé.

O insucesso pode ser definido com uma tentativa perdida na consecução de algum projeto ou desejo que nós tínhamos, mas que ainda podemos conseguir. Já o fracasso é a constatação final da derrota. O fracasso é o insucesso recorrente, é o momento no qual nos damos por vencidos, não por preguiça de lutar, mas simplesmente por perceber que jamais conseguiremos obter o que desejávamos.

No insucesso é mais fácil confiar em Deus, refazer as promessas, repensar os caminhos, robustecer as forças, e esperar pacientemente pela vitória, porque afinal ainda vislumbramos-la. Mas no fracasso não, no fracasso não vislumbramos mais a vitória. No momento do fracasso é que se dá talvez a maior demonstração de humildade, porque é aí que nós somos forçados a reconhecer as limitações, fraquezas e incapacidades. Devemos reconhecer que não somos autossuficientes. Devemos reconhecer que existem coisas que estão para além do nosso querer e poder.

Nessas ocasiões, tanto do insucesso como do fracasso, nós somos postos diante de dois caminhos, de duas escolhas: o desespero (perder a fé e/ou recorrer à forças antidivinas) e a confiança (ou esperança) em Deus.

O desespero nos levará ou a perder a fé na ação de Deus e/ou na sua existência, ou nos levará a buscar recursos que vão contra Deus. Permanecer confiando em Deus, independentemente se alcançaremos ou não aquilo que desejamos (ou seja, tanto no insucesso como no fracasso) será a testificação para o Senhor da nossa fé, e com certeza constituirá num avanço espiritual sem precedentes, que nos conduzirá automaticamente à uma paz de espírito incomensurável.

Cabe a nós transformarmos os insucessos e fracassos em provações que nos levem para a Vida ou em tentações que nos conduzam para a morte. 

Que Deus nos ajude a manter inabalável a nossa confiança no seu eterno amor.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

A caridade

Oração:
Concedei-me, Senhor Jesus, por tua graça, sair de mim mesmo, abandonar o egoísmo que até hoje me acompanhava e, apesar das minhas limitações e dificuldades que Vós conheceis todas, fazer algo de bom pelo meu semelhante, que a partir de hoje quero não só chamar de irmão(ã), mas realmente ter como irmão(ã). Por intercessão de Nossa Senhora e de São Francisco de Assis. Amém.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Estar dispostos a aprender com Deus

"Será que sempre estamos dispostos a aprender? Será que as lições da fé não 'entram por um ouvido e saem pelo outro'?"





Por Visão Transcendente

Na caminhada de fé nós somos todos discentes. A todo instante nos deparamos com alguém que deseja nos dar lições. Como viver? Como falar? Como se relacionar com os outros? Que escolha fazer? Como rezar? Dizer sim ou dizer não à isso e/ou àquilo? etc. Todas essas questões e outras tantas são respondidas por algum irmão(ã) na fé sempre bem intencionado(a). Pode ser um amigo(a), um familiar, um diretor espiritual... A todo momento podemos ser humildes e ouvindo tirar de cada conselho um ensinamento precioso para a vida.

A reflexão que quero fazer é a seguinte: Será que sempre estamos dispostos a aprender? Será que as lições da fé não "entram por um ouvido e saem pelo outro"? Quantas vezes não sentamos no banco da igreja durante a liturgia da Palavra para ouvir as leituras bíblicas e a homilia do pregador e logo logo, mal acaba a Missa, já esquecemos de tudo o que foi dito? Quantos conselhos nos foram dados exaustivamente pelos nossos pais e mesmo assim fazemos tudo o contrário e "quebramos a cara"?

Uma das coisas que mais me causa estranheza é ver uma pessoa com muitos anos de caminhada na Igreja se comportando orgulhosamente como um pagão, dizendo e fazendo coisas escrachadamente contrárias à fé cristã, sem esboçar nenhum sinal de vergonha. Defendem ideias diametralmente contrárias à doutrina cristã, se compartam e incentivam comportamentos imorais. São deselegantes e às vezes até estúpidas no trato com as outras pessoas. São orgulhosas e nem um pouco humildes, mesmo sabendo que o nosso Deus quando se encarnou neste mundo viveu sempre pobre e humilde. São preconceituosas, ao contrário de Jesus que não julgava ninguém e sempre acolhia a todos(as). E não obstante tudo isso, continuam indo à igreja alegremente, ocupam funções de liderança nos grupos laicais e ainda dão uma de formadores de cristãos.

Coloquemos a "mão" na nossa consciência e respondamos com sinceridade: ouço tantos e bons conselhos, procuro seguir algum deles? A Palavra de Deus me interpela e me faz rever as atitudes que tomo? Será que já não me acostumei a viver na hipocrisia, isto é, eu sei o que é a verdade, mas não me esforço nenhum pouco para me conformar com ela? 

domingo, 25 de outubro de 2015

Jesus cura a cegueira da alma

"Recuperados da visão estamos se ouvimos a Palavra de Cristo e lhe obedecemos, se entramos em comunhão com Ele e lhe amamos. Aí então a luz da vida estará em nós." 




Por Visão Transcendente


O Evangelho que a Igreja proclama na Missa deste domingo (Marcos 10, 46-52) apresenta Jesus como o "Divino oftalmologista", como o Enviado da parte de Deus para curar a cegueira da nossa alma.

O cego da passagem bíblica não tem nome. O evangelista Marcos diz que o cego é Bartimeu, isto é,  "Bar" que significa filho e Timeu que é um nome próprio, ou seja, filho de Timeu. Toda vez que o Evangelho não apresenta o nome de alguém é para que nós coloquemos o nosso nome naquela personagem. Na verdade o cego da passagem evangélica deste domingo sou eu e é você.

Nós, assim como Bartimeu, clamamos recorrentemente por piedade e ajuda no meio da escuridão dos acontecimentos cotidianos, mas ao contrário dele, muitas vezes o nosso clamor não está dirigido para Jesus, mas sim para pessoas frágeis como nós, que no fundo não podem nos dar toda a luz necessária para findar a escuridão da nossa alma, simplesmente porque elas não possuem essa luz. Jesus, Ele sim, não só possui a luz que necessitamos, mas na verdade Ele é a própria luz do mundo, quem o segue não andará jamais nas trevas, mas terá sempre a luz da vida (Jo 8, 12).

A passagem bíblica em questão também diz que muitos repreendiam Bartimeu quando ele gritava para Jesus, pedindo que se calasse. Assim também acontece conosco. Essa é a voz do mundo nos dizendo que não gritemos para Jesus, pois Ele não nos escuta, Ele tem coisas mais importantes para se preocupar, Ele talvez nem exista. Quantas vezes logo no início da nossa caminhada de fé nós não ouvimos tantas pessoas a nos dizer coisas semelhantes a estas: "para que ir para a igreja?", "do que adianta rezar?", "Deus não existe", "na igreja não tem nada de bom para você", "você está desperdiçando o seu tempo", "tem coisas mais interessantes para fazer do que ir para a igreja". É a voz do mundo querendo que nós desistamos. O Evangelho de hoje diz que quando era repreendido Bartimeu gritava ainda mais forte, e é essa a atitude que o Senhor Jesus espera de nós. Depois de tanta insistência Jesus o chama. O Mestre está a nos ensinar que a perseverança é uma virtude que Deus deseja ver presente em nós. Você clamou, parece que Deus não te ouviu porque a demora é grande, continue clamando pois com certeza Ele quer provar a sua fé por meio da perseverança. No final o Senhor lhe dirá como disse a Bartimeu: "A tua fé te salvou".

O Evangelho também diz que ao ouvir o chamado de Jesus Bartimeu jogou fora o seu manto. O Magistério da Igreja nos ensina que essa atitude significa que para sermos curados da cegueira da alma nós devemos jogar fora, abandonar, deixar no passado o nosso estilo de vida corrompido pelo pecado e seguir Jesus despojados dos nossos apegos desordenados e dos maus afetos.

A passagem bíblica por ora meditada também fala que o cego Bartimeu estava sentado à beira do caminho. Na parábola do semeador (Mc 4, 3-9.14-20) esse lugar é onde a semente cai, mas não dá fruto porque é arrebatada pelos pássaros do céu. Jesus explica que esses são aqueles que escutam a Palavra de Deus, mas que logo depois de a terem ouvido vem satanás e rouba aquela Palavra dos seus corações. Assim estamos nós, cegos pelo demônio se vivemos no pecado e pautamos a nossa vida pelo que nos diz o mundo. E recuperados da visão estamos se ouvimos a Palavra de Cristo e lhe obedecemos, se entramos em comunhão com Ele e lhe amamos. Aí então a luz da vida estará em nós e poderemos dizer como no salmo de hoje: "Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria"