sexta-feira, 25 de março de 2016

O sacrifício redentor de Jesus Cristo

Hoje, dia da Paixão do Senhor, meditemos sobre sua morte redentora a partir do Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 613-618:

A morte de Cristo é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal que realiza a redenção definitiva dos homens por meio do “Cordeiro que tira o pecado do mundo”, e o sacrifício da Nova Aliança que restabelece a comunhão entre o homem e Deus, reconciliando-o com Ele pelo “sangue derramado pela multidão, para a remissão dos pecados”.

Este sacrifício de Cristo é único, leva à perfeição e ultrapassa todos os sacrifícios. Antes de mais, é um dom do próprio Deus Pai: é o Pai que entrega o seu Filho para nos reconciliar consigo. Ao mesmo tempo, é oblação do Filho de Deus feito homem, que livremente e por amor oferece a sua vida ao Pai pelo Espírito Santo para reparar a nossa desobediência.

“Como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, muitos se tornarão justos” (Rm 5, 19). Pela sua obediência até à morte, Jesus realizou a ação substitutiva do Servo sofredor, que oferece a sua vida como sacrifício de expiação, ao carregar com o pecado das multidões, que justifica carregando Ele próprio com as suas faltas. Jesus reparou as nossas faltas e satisfez ao Pai pelos nossos pecados.

É o “amor até ao fim” que confere ao sacrifício de Cristo o valor de redenção e reparação, de expiação e satisfação. Ele conheceu-nos e amou-nos a todos no oferecimento da sua vida. “O amor de Cristo nos pressiona, ao pensarmos que um só morreu por todos e que todos, portanto, morreram” (2 Cor 5, 14). Nenhum homem, ainda que fosse o mais santo, estava em condições de tornar sobre si os pecados de todos os homens e de se oferecer em sacrifício por todos. A existência, em Cristo, da pessoa divina do Filho, que ultrapassa e ao mesmo tempo abrange todas as pessoas humanas e O constitui cabeça de toda a humanidade, é que torna possível o seu sacrifício redentor por todos. 

“Pela sua santíssima paixão no madeiro da cruz, Ele mereceu-nos a justificação” – ensina o Concílio de Trento, sublinhando o caráter único do sacrifício de Cristo como fonte de salvação eterna. E a Igreja venera a Cruz cantando: “Ave, ó cruz, esperança única!”.

A cruz é o único sacrifício de Cristo, mediador único entre Deus e os homens. Mas porque, na sua pessoa divina encarnada “Ele Se uniu, de certo modo, a cada homem”, “a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal, por um modo só de Deus conhe­cido”. Convida os discípulos a tomarem a sua cruz e a segui-Lo porque sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos. De fato, quer associar ao seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários. Isto realiza-se, em sumo grau, em sua Mãe, associada, mais intimamente do que ninguém, ao mistério do seu sofrimento redentor:

“Há uma só escada verdadeira fora do paraíso; fora da cruz, não há outra escada por onde se suba ao céu”. (Santa Rosa de Lima)