terça-feira, 25 de agosto de 2020

Prece pelos que sofrem

                                      

De Novena à Divina Misericórdia. São Paulo: Editora Canção Nova, 2008. p. 17-18.

Deus, nosso Pai Divino, com anseio aguardamos um sinal da tua presença, a tua voz clemente, a tua benevolente ação.Tua misericórdia, Senhor, testemunha teu amor. Em tuas mãos estão os nossos destinos e a nossa vida. Ouve a minha súplica e o meu pedido. Deus, tu que sempre amparas os necessitados; para ti apelam os desamparados. Que venha o alívio aos que sofrem. Sem a tua ajuda não há salvação, não há remédios que possam curar, nem meios que ergam o fraco e o sofredor. Dá força e fé aos que clamam por ti, resistência e paciência aos que necessitam e que a tua presença os ilumine sempre. Escuta, ó Deus, com clemência esta súplica, alivia os sofrimentos dos que padecem, para que possam erguer-se e bendizer a tua infinita bondade. Amém.

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Metanoia

De Pe. Reinaldo Cazumbá, Onde está Deus? São Paulo: Editora Canção Nova, 2012. p. 54-58.

Quando alguém é tocado íntima e profundamente pelo Senhor, sua vida se transforma por completo. Esse processo de conversão é chamado de metanoia. É reorientar toda sua vida e ser em direção a Deus, à felicidade verdadeira. Sem conversão não há mudança de vida, não há vida nova, não há libertação da tibieza, não há intimidade com Deus. A conversão consiste em voltar para o Senhor com todo coração, retomar o caminho de Suas veredas.

Converter-se significa uma profunda mudança sob o influxo da Palavra de Deus. Essa transformação interior exprime-se nas obras e, por conseguinte, na vida, em todos os aspectos, do cristão. Conversão representa a vitória sobre o velho homem que estava enraizado e submetido aos desejos carnais e o começo de uma vida nova, criada e governada pelo Espírito de Deus.

A conversão está relacionada à aceitação incondicional da soberania divina e, para que ela ocorra, é necessário reconhecer que se praticou o mal e que, por isso, se tem necessidade de uma transformação completa. Porém, não basta reconhecer e renunciar somente a um ato mau ou a um hábito pecaminoso. Todo o coração e todo o procedimento devem ser mudados. Aquele que realmente se converte, submete-se de boa vontade à Lei Divina. Renuncia à vida de ilegalidade.

Metanoia é deixar de viver na injustiça. Todo pecado cria um estado deplorável de sonegação de justiça para com Deus. É uma recusa permanente de oferecer ao Senhor a glória que lhe pertence e de prestar ao Pai a obediência e o amor filial. A conversão tira-nos deste mísero estado e renova integralmente o nosso coração.

Conversão é o retorno à casa do Pai e a entrada no Reino de Deus. Passagem das trevas do pecado para a luz da Graça. O caminho que Deus aponta conduz a uma conversão séria e autêntica do coração.

A metanoia se inicia no momento em que Deus se digna em derramar "um espírito de perdão e de misericórdia" (Zc 12,10) e culmina em um novo nascimento, do alto, de Deus. A volta à casa do Pai é a reintegração nos direitos de filho. Não é algo que se processa unicamente no exterior, mas é uma ação interior, uma modificação vital, um nascimento pelo Espírito. Para o homem, a conversão é, pois, infinitamente mais que o simples fato de livrar-se da escravidão do pecado, porque para Deus converter é infinitamente mais que perdoar pecados, é fazer o dom de uma vida nova. O homem torna-se filho de Deus.

O único modo efetivo de descobrir a própria identidade é o árduo, mas consolador, caminho da conversão, mediante um humilde reconhecimento das próprias imperfeições e pecados. Precisamos ter a atitude de abandonar tudo aquilo que é nosso, os planos, os medos etc. e estarmos prontos para a mudança que está nos planos de Deus para nós. Este é o caminho da verdadeira metanoia.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Ato de desagravo para a festa do Sagrado Coração, diante do Santíssimo exposto


Do Manual do Coração de Jesus. São Paulo: Edições Loyola, 2019, p. 121-122.

Jesus amado, vossa infinita caridade para conosco é tantas vezes mal correspondida com esquecimentos e até desprezos. Aqui estamos diante do Santíssimo Sacramento, a fim de vos desagravarmos com nossas homenagens pelas insensatas e tristes ofensas com que vosso Coração é ferido em toda parte.

Reconhecemos, porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma vez, cometemos as mesmas indignidades. Em primeiro lugar, imploramos a vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, mas também as daqueles que estão afastados do caminho da salvação que, não vos querendo como pastor e guia, sacudiram o suavíssimo jugo da vossa Lei de amor. Nós queremos hoje vos desagravar de todos esses crimes, de tantos laços de corrupção armados contra a inocência, da violação dos Domingos e dias santos, dos insultos ao vosso Vigário e a todo o vosso clero, do desprezo ao Sacramento.

Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os Santos e pessoas piedosas, aquela infinita satisfação que Vós oferecestes ao Eterno Pai na cruz, e que não cessais de renovar todos os dias sobre nossos altares.

Ajudai-nos, Senhor, com a vossa graça, para que possamos viver a Fé, ter pureza nos costumes, seguir a lei da caridade evangélica, reparar os pecados cometidos por nós e por todos e atrair para o vosso serviço o maior número possível de pessoas.

Recebei, ó bondoso Jesus, pelas mãos de Maria Santíssima, a espontânea homenagem deste desagravo. Concedei-nos a graça de perseverarmos até a morte no vosso santo serviço. Assim chegaremos todos às moradas da Casa do Pai onde viveremos convosco, com o Pai e com o Espírito Santo agora e sempre. Amém. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Amor de si contra si

De Pe. Paulo Ricardo de Azevedo, Um olhar que cura: terapia das doenças espirituais. São Paulo: Editora Canção Nova, 2014. p. 21-22.

Ora, não é difícil perceber a loucura de quem se revolta contra seu próprio Criador. Tal atitude iguala-se a de uma criança que dá socos e pontapés no pai, que, com suas mãos amorosas, sustenta-a e impede que caia no precipício.

Na tentativa de expressar a loucura deste amor doentio, São Máximo sintetizou, de forma bastante intuitiva, esta realidade patológica ao descrever a filáucia como "o amor de si contra si".

Será possível entender melhor a questão se pegarmos como exemplo a pessoa viciada em drogas. O toxicodependente se entrega ao vício porque "se ama", mas não é difícil perceber que se trata de um amor desordenado. Ele busca a própria felicidade nas alucinações resultantes do entorpecente, mas o que encontra, na verdade, é a própria destruição. Só o drogado não vê que está transformando a própria vida e a vida dos que o amam num inferno. É uma espécie de amor autodestruidor.

Pois bem, "o pecado é sempre uma 'droga', mentira de falsa felicidade". Todas as vezes que nos entregamos ao pecado, caímos na loucura de quem deseja se salvar e termina se perdendo (cf. Mc 8,35). E aqui a palavra loucura não é um exagero e nem simplesmente um estilo de linguagem.

Se, andando pela rua, encontrássemos uma pessoa mutilando a si mesma e arrancando pedaços de seu próprio corpo, não hesitaríamos em dizer que se trata de um louco, pois dilacerar os próprios membros "é próprio de furiosos e de loucos". Tal é a nossa condição de pecadores. Achamo-nos muito inteligentes ao deixar Deus de lado e inventar uma forma nova de amor-próprio, mas acabamos por nos destruir.