domingo, 20 de maio de 2018

Indicações de leituras IV

Por Visão Transcendente

4º) Livro – Todos os caminhos levam a Roma. Autores – Scott e Kimberly Hahn.



Este livro traz o emocionante relato do casal Scott e Kimberly Hahn sobre as suas trajetórias religiosas.
Na busca por um maior conhecimento sobre Jesus Cristo, descobrem realidades desconcertantes a respeito da Bíblia e da Igreja Católica, o que acabará provocando uma reviravolta nas suas vidas.
Como diz Scott na introdução, é uma história de amor com final feliz, mas que ao longo do percurso tem contornos de um romance policial, e até mesmo de terror.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Indicações de leituras III

Por Visão Trancendente
3º) Livro – Vida de São Francisco de Assis. Autor – Tomás de Celano.


Esse livro conta a história de São Francisco de Assis, homem considerado por muitos o maior cristão de todos os tempos, aquele que seguiu mais perfeitamente a Nosso Senhor Jesus Cristo. Nascido na Itália no fim do século XII, Francisco era filho de um comerciante de tecidos burguês. Depois de uma juventude cômoda e pecaminosa, várias ações sobrenaturais do Divino e a reflexão pessoal de suas misérias impelem Francisco a uma vida de penitência e de caridade, uma verdadeira conversão.
Sua vida encantou a muitos de seus contemporâneos, homens e mulheres, solteiros e casados, que se juntaram a Francisco para formar uma das maiores e mais ativa ordem religiosa da história da Igreja, conhecida por causa de seu fundador como Ordem Franciscana, até hoje presente no mundo inteiro.
O conhecimento da vida deste santo com certeza trará luzes para você poder compreender o que de fato significa ser cristão.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Indicações de leituras II

Por Visão Transcendente

2º) Livro – O milagre da esperança: prisioneiro político, profeta da paz: vida de Francisco Xavier Nguyen Van Thuan.  Autor – André Nguyen Van Chau.

Esta biografia conta a história de um homem que se manteve constante na sua caminhada para Deus, apesar de toda a agitação política, social e cultural que marcou a história do seu país, da sua família e a sua própria vida.
Padre católico do Vietnã, Francisco Xavier Van Thuan passou 13 anos numa prisão comunista, nove dos quais na solitária, e assistiu ao assassinato de vários familiares próximos. Contudo, nunca desanimou e manteve sempre a esperança. Esperança essa de que se tornou profeta e procurou fazer passar ao seu povo e a todos os homens e mulheres do mundo, escrevendo os seus pensamentos em pedacinhos de papel que enviava, clandestinamente, para fora da prisão.
Mais tarde, obrigado ao exílio, deixou o seu amado Vietnã e pôs-se ao serviço da Igreja, que o escolheu para cardeal e Presidente do Conselho Pontifício para a Justiça e Paz. Hoje, os seus escritos tornaram-se conhecidos em todo o mundo e estão traduzidos em mais de doze línguas.
O Milagre da Esperança é a história de “um homem que percorreu o caminho da esperança, animando-nos a mantê-la no meio das trevas da época e do lugar em que vivemos.” (Michael Downey). 

sábado, 28 de abril de 2018

Indicações de leituras I

Por Visão Transcendente

Gostaria de indicar para você algumas leituras que certamente vão ajudá-lo no seu processo de conversão. Vão te inspirar e fazer compreender melhor o que significa ser cristão. Vale a pena o investimento financeiro e o tempo empregado. Depois de ler essas obras você seguramente não será a mesma pessoa.
Tomei a liberdade de indicar a sequência em que devem ser lidos os livros, considerando a complexidade e a utilidade de cada um. Compre-os, leia-os, vale à pena. Uma dica: quando for procurar observe também o nome do autor, pois pode acontecer dos títulos serem iguais e você adquirir o livro errado.

1º) Livro – Um casal especial: os pais de Santa Teresinha. Autor – Frei Patrício Scianidi.

O livro “Os pais de Santa Terezinha” conta a história desse casal especial e da busca da fé e do amor a Deus para superar a pobreza.
A religiosidade fez com que os pais de Santa Teresinha superassem os problemas da vida e transformassem os obstáculos em bênçãos e graças.
Nessa obra, o autor mostra como o amor e a união familiar são capazes de construir uma família sólida, deixando lições para que todos os que pensam em construir um lar saudável se espelhem no exemplo dessa, que foi uma família realmente com crenças e valores católicos e que nunca se deixou esmorecer nas dificuldades cotidianas.
Conheça esse livro que traz o exemplo de uma união familiar do passado para os dias de hoje.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

A conversão requer sacrifício, pois é um crescimento no amor


Por Visão Transcendente

Certa vez Jesus disse:

“Se alguém quiser vir após mim, renegue- se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me.” (Lucas 9, 23).

Uma vida cristã autêntica não é fácil de ser vivida. As palavras de Jesus citadas acima são claras: a vida cristã consiste numa renúncia de nós mesmos, isto é, das nossas vontades e planos que muitas vezes não são honestos. Por exemplo: como é difícil para um alcoólatra largar seu vício! Realmente para ele deixar de consumir álcool é lutar contra a sua própria “natureza”, é renegar, renunciar a si mesmo. E o dia a dia longe do vício é realmente tão pesado como carregar uma cruz. Mas ele tem consciência que todo o seu esforço será compensador, por vários motivos. O ex-alcoólatra sabe da vida miserável que vivia, e que apesar de sua nova vida requerer tanto esforço vale à pena converter a sua natureza e se tornar novamente um homem sadio espiritual e fisicamente.
É importante você saber: a conversão requer sacrifício, pois é um crescimento no amor. E nesse mundo não se ama sem sofrer, sem sacrificar-se. Gosto muito de um hino dedicado à Santa Rita de Cássia, pois considero que ele traduz em música essa verdade cristã importantíssima, assim diz o hino: “Na amarga vida, ó Santa Rita, quem sabe amar sabe sofrer e no silêncio que tortura aprende a arte de viver”, e em outro trecho: “Ó Santa Rita de Jesus, ensinas-me lição de vida: sofrer e amar levando a Cruz!”.
A Imitação de Cristo ilumina essa realidade do sofrimento bom e purificador em palavras simples:

“Toda a nossa paz, porém, nesta vida miserável, consiste mais na humilde resignação, que em não sentir contrariedades. Quem melhor sabe sofrer maior paz terá. Esse é vencedor de si mesmo e senhor do mundo, amigo de Cristo e herdeiro do Céu.” (Tomás de Kempis, Imitação de Cristo, livro II, capítulo III)

O amor consiste justamente nisso: em renunciar a nós mesmos por um bem maior, pelo bem do próximo ou para agradar a Deus. Olhemos o amor de Jesus e tomemos Nosso Senhor como exemplo: ele sempre pensou no bem do próximo, na felicidade alheia e no fazer a vontade de seu Pai. Jesus por onde passou foi fazendo o bem, curando todos os males e pregando somente a palavra de Deus Pai. Até a sua vida na Cruz ele ofereceu livremente para perdoar os nossos pecados, fazendo o contrário do que a sua vontade humana pedia. É como diz aquela canção popular: “Olhe pra Cruz essa é a minha grande prova: ninguém te ama como eu”. São palavras de Jesus:

“Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância. Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” (João 10, 10-11)

“Pai... não se faça a minha vontade, mas sim a tua” (Lucas 22, 42)

O contrário do amor não é o ódio como se costuma pensar e dizer, o contrário do amor é o egoísmo, o contrário do amor é a mesquinhez, é pensar só no meu bem, na minha satisfação, na minha alegria. O contrário do amor é pensar: “Se eu estiver bem, que o mundo se exploda”, “Se eu estou feliz, o resto que se dane”.
A conversão, portanto, exige um sacrifício interior da nossa vontade em direção à vontade de Deus e um sacrifício exterior na luta contra as más inclinações e os vícios. Santo Tomás de Aquino dizia que o desordenado amor por si mesmo é a causa de todos os pecados, por isso uma verdadeira conversão exige que pensemos mais no bem do próximo e na vontade de Deus do que nosso bem e nas nossas vontades. É a regra de ouro da vida cristã:

“Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles.” (Mateus 7, 12)

São Francisco de Assis expressava essa verdade evangélica acima mencionada de outra maneira:

“Ó Mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado, compreender que ser compreendido, amar que ser amado. Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado.” (Oração atribuída a São Francisco de Assis)

Devemos consolar os outros, antes de pensar e querer que os outros nos agradem e consolem. Devemos compreender as pessoas, mesmo que elas não nos compreendam. Devemos dar o primeiro passo no amor, fazendo o bem mesmo àqueles que nunca fizeram nada por nós. Devemos perdoar para então merecermos o perdão. O nosso grande mal é achar que o mundo é um grande restaurante em que nós somos o único cliente e todas as outras pessoas são nossos garçons, estão a nosso serviço.
Jesus, nosso maior exemplo, nos disse:

“O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos.” (Marcos 10, 45)

Na última ceia Jesus não se sentou e pediu para que os apóstolos viessem lavar os seus pés, os beijassem e adorassem a Ele como Deus, mas pelo contrário Ele se rebaixou e lavou os pés dos apóstolos, e depois disse:

“Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós.” (João 13, 13-15)

É necessário compreender: a conversão é um crescimento constante no amor que só acaba com a morte. Um dia eu estava na igreja, na fila para me confessar e ao meu lado duas senhoras de idades bem avançadas conversavam, e alegremente uma dizia para outra, como se fosse algo de se orgulhar, que desde a juventude os seus pecados eram os mesmos e que sempre se confessavam da mesma forma. Naquele momento eu desejei no meu coração, sem julgá-las, que não acontecesse o mesmo comigo, pois isso não é cristianismo. A vida espiritual do cristão não pode ficar estagnada, sem ir para frente. Um cristão não pode ficar preso a vida inteira aos mesmos pecados, sem progredir no amor. Todos nós devemos ser como aquele grão de mostarda da parábola  de Jesus:

“A que assemelharemos o reino de Deus, ou com que parábola o representaremos? É como um grão de mostarda, que, quando semeado na terra, embora seja menor que todas as sementes que há na terra, contudo depois de semeado, cresce e se torna a maior de todas as hortaliças, e deita grandes ramos, de tal modo que as aves do céu podem pousar à sua sombra.” (Marcos 4, 30-32)

Peçamos a Deus que nos ajude a amar e a crescer no amor. Que Jesus nos ensine, a seu exemplo, a renunciarmos a nós mesmos, ou seja, aos nossos vícios e más condutas e carregar a nossa Cruz cotidiana, como diz a famosa canção: “Humildes e confiantes levemos a nossa Cruz, seguindo o sublime exemplo de Nosso Senhor Jesus”.
Mais uma vez a Imitação de Cristo traduz em palavras profundas e simples o mistério da nossa união com Cristo através da Cruz cotidiana:

“Porque temes, pois, tomar a Cruz, pela qual se caminha ao reino do Céu? Na Cruz está a salvação, na Cruz a vida, na Cruz o amparo contra os inimigos, na Cruz a abundância da suavidade divina, na Cruz a fortaleza do coração, na Cruz o compêndio das virtudes, na Cruz a perfeição da santidade. Não há salvação da alma nem esperança da vida, senão na Cruz. Toma, pois, a tua Cruz, segue a Jesus e entrarás na vida eterna. O Senhor foi adiante, com a Cruz às costas, e nela morreu por teu amor, para que tu também leves a tua Cruz e nela desejes morrer. Porquanto, se com Ele morreres, também com Ele viverás. E, se fores seu companheiro na pena, também o serás na glória.” (Tomás de Kempis, Imitação de Cristo, livro II, capítulo XII)

A sabedoria espiritual dos santos também nos ajuda a compreender o sacrifício pessoal de uma forma cristã:

“Ao ver as recompensas eternas em tamanha desproporção com os ligeiros sacrifícios desta vida, quisera amar a Jesus, amá-Lo apaixonadamente, e dar-Lhe mil provas de minha ternura, enquanto me era dado fazê-lo.” (Santa Teresinha do Menino Jesus, História de uma alma – c. V.)

quarta-feira, 25 de abril de 2018

O pecado é a causa da sua tristeza


Por Visão Transcendente

O Catecismo da Igreja Católica define assim o pecado:

“O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego exagerado a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como ‘uma palavra, um ato, ou um desejo contrários à lei eterna’. O pecado é uma ofensa a Deus: ‘Pequei contra ti, contra ti somente, pratiquei o que é mau aos teus olhos’ (Sl 51, 6). O pecado ergue-se contra o amor de Deus por nós e desvia dele os nossos corações. Como o primeiro pecado, é uma desobediência, uma revolta contra Deus, por vontade de tornar-se ‘como deuses’, conhecendo e determinando o bem e o mal (Gn 3, 5). O pecado é, portanto, ‘amor de si mesmo até o desprezo de Deus’. Por essa exaltação orgulhosa de si, o pecado é diametralmente contrário à obediência de Jesus, que realiza a salvação.” (Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 1849-1850)

O pecado é uma auto-sabotagem, ou seja, é você destruindo a você mesmo. Deus nos dá uma diretriz, um caminho pavimentado e seguro rumo à realização das nossas mais profundas aspirações, mas pecando nós queremos construir o nosso próprio caminho, que tem como destino final o precipício: a angústia, o sofrimento, a corrupção de tudo aquilo que existia de bom em nós.
Nós sabemos que a nossa felicidade está em amar a Deus acima de todas as coisas, mas preferimos procurar fora dele, em ídolos e em pessoas pecadoras como nós ou, ainda pior, em bens materiais, a nossa felicidade, e aí então nos decepcionamos, somos frustrados nas nossas expectativas e sofremos.
Nós sabemos que os mandamentos do Senhor são o único caminho seguro para a felicidade. O livro dos Salmos atestando isso diz:

“A Lei do Senhor é perfeita, reconforta a alma; a ordem do Senhor é segura, instrui os simples. Os preceitos do Senhor são retos, deleitam o coração; o mandamento do Senhor é luminoso, esclarece os olhos.” (Salmos 18, 8-9)

Nós sabemos que a nossa felicidade se encontra na humildade que é o reconhecimento de nossa pequenez, da verdade sobre nós mesmos, sabendo que tudo é dom de Deus, mas preferimos o orgulho que é o princípio de todo pecado, a tentativa de se igualar a Deus, de ser auto-suficiente, senhor de si, passando por cima da autoridade de Deus. O orgulho caracteriza-se por acharmos que os dons de Deus vêm de nós mesmos. Leva aos pecados da presunção, da vanglória. Nós passamos a procurar sempre reconhecimento, elogios por nossos atos e acabamos nos gabando das coisas que fazemos.
A Imitação de Cristo faz o elogio da virtude da humildade, oposta ao orgulho:

“Ao humilde Deus protege e salva, ao humilde ama e consola, ao humilde Ele se inclina, dá-lhe abundantes graças e depois do abatimento o levanta a grande honra. Ao humilde revela seus segredos e com doçura a si o atrai e convida. O humilde, ao sofrer afrontas, conserva sua paz, porque confia em Deus e não no mundo. Não julgues ter feito progresso algum, enquanto te não reconheças inferior a todos.” (Tomás de Kempis, Imitação de Cristo, livro II, capítulo II)

Sabemos que a generosidade é a melhor escolha, pois ela consiste no despojamento quanto aos bens materiais, compartilhando-os com aqueles que necessitam. Daí e vos será dado, disse Jesus. Deus ama o que dá com alegria. Deus é generoso com seus filhos, portanto, todo cristão deve ser generoso com seu próximo. Mas ao invés de adotar a generosidade como prática diária na nossa vida, preferimos a avareza que é o desejo desordenado dos bens deste mundo. Os bens deste mundo foram feitos para suprir nossas necessidades e a de nossos irmãos. A avareza é a síndrome de acumular, juntar, empilhar coisas. É o culto ao dinheiro. Leva a fraudes, roubos, mesquinharia e ambição (passar por cima dos outros). Em vez de senhores das coisas passamos a ser escravos delas.
Temos consciência de que a caridade é sempre o melhor caminho para a nossa paz e realização, porque ela é o olhar bom para o próximo, o amor para o próximo, amar nosso irmão sem julgá-lo, ter paciência, perdoá-lo sempre, alegrar-se com o bem do irmão, amá-lo com palavras e obras. Mas escolhemos o pecado danoso da inveja, ou seja, a tristeza diante do bem próximo. O invejoso está sempre de olho nos outros, no bem dos outros. O invejoso não valoriza seus bens, desenvolve o espírito critico, diminuindo o outro, calunia aquele que inveja.
Nós sabemos que a mansidão, a calma, a tranquilidade e o equilíbrio emocional são necessários para agradar a Deus, para a convivência e para manter a paz, mas não hesitamos em praticar a ira. Jesus, nosso Divino Mestre, nos convida:

“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas.” (Mateus 11, 29)

A ira é o estado emocional desordenado, é a raiva excessiva. Ela é um mal em si mesma, pois tira a paz do indivíduo. Leva à impaciência, furor, violência, ódio e assassinato. Devemos deixar bem claro que força é diferente de violência. Ser violento não significa que a pessoa seja forte. A paciência é a maior prova de força. 
Jesus nos ensinou no sermão da montanha:

“Felizes os mansos, porque possuirão a terra!” (Mateus 5, 5)

A nossa consciência nos indica que a castidade, ou melhor, o respeito de nosso corpo e ao corpo do próximo, é a virtude que nos leva à retidão moral, ao ordenamento dos sentimentos e à paz de espírito, mas preferimos cultivar a luxúria, que é a erotização exacerbada e o mau uso da sexualidade. Vivemos num mundo altamente erotizado. A moda, os espetáculos, os shows, os programas televisivos tem sempre apelo sexual. Em oposição à luxúria, São Paulo nos diz:

“Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, então, os membros de Cristo e os farei membros de uma prostituta? De modo algum!” (1ª Coríntios 6, 15)

Somos templos da Santíssima Trindade. A sexualidade deve ser governada pelo amor. O sexo, o amor e a transmissão da vida são três coisas que estão intimamente ligadas, mas foram separadas de forma lastimável pelo homem moderno.
Igualmente a nossa consciência e as circunstâncias da vida nos mostram que a temperança, a virtude que consiste em conservar o nosso corpo, a paz interior, a saúde, é a melhor escolha. Por exemplo, sabemos que ter uma alimentação balanceada, se livrar de substâncias que envenenem nosso organismo é o melhor para cada um de nós, mas preferimos a gula que é um vício em que há busca de um prazer desordenado na comida e na bebida: comer excessivamente, se alcoolizar, protagonizando situações vergonhosas, se entupir de remédios, fumar, se drogar. No caminho da gula perdemos a força de vontade de se livrar dos vícios.
A vida nos indica que praticar a virtude da diligência é sempre o melhor, pois esta consiste em não se cansar de fazer as coisas, valorizando-as sempre. Caracteriza-se pela garra, força e amor. Ao contrário disso, preferimos a preguiça, a negação do esforço, o comodismo. Fazemos tudo de qualquer jeito, não fazemos as coisas com amor. O livro dos Provérbios faz um alerta ao preguiçoso:

“Observe a formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio! Ela não tem nem chefe, nem supervisor, nem governante, e ainda assim armazena as suas provisões no verão e na época da colheita ajunta o seu alimento. Até quando você vai ficar deitado, preguiçoso? Quando se levantará de seu sono? Tirando uma soneca, cochilando um pouco, cruzando um pouco os braços para descansar, a sua pobreza o surpreenderá como um assaltante, e a sua necessidade sobrevirá como um homem armado sobre você” (Provérbios 6, 6-11)

Considerando com seriedade essa reflexão podemos perceber que é do pecado que procede a nossa infelicidade, a nossa tristeza, pois preferimos os caminhos vazios de sentido que ele nos oferece, preferimos o prazer momentâneo ao invés da paz prolongada, colocamos o eu, o egoísmo, antes do nós, ou seja, do bem comum e dos planos de Deus. 
A conversão é o convite de Deus para fazer o caminho oposto ao do pecado, um caminho rico de sentido, honesto, em que não se pensa só nas satisfações de desejos mesquinhos, mas no agradar a Deus, no servir ao próximo, numa vida de paz e amor. 
Reflitamos esta frase de Santo Agostinho: “O pecado é o motivo da tua tristeza, deixa que a santidade seja o motivo da tua alegria”.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Fazer a vontade de Deus é uma fonte inesgotável de alegria



Por Visão Transcendente

Ao contrário do que comumente se propagandeia, fazer a vontade de Deus, seguir os seus mandamentos e amar a Igreja não consiste num abandono dos nossos sonhos, uma sublimação dos nossos desejos, uma renúncia à felicidade, não! Pelo contrário, fazer a vontade de Deus é uma fonte inesgotável de alegria. Certa vez Jesus disse:

“Aquele que crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.” (João 7, 38) 

Eu não conheço uma expressão mais perfeita do que essa usada por Nosso Senhor para descrever a felicidade desejada por todos: rios de água fluindo do interior da pessoa. Você certamente já viu um rio caudaloso, descendo as suas águas em corredeira rapidamente. Que imagem bela! Que expressão de vida, vida abundante! Pois então imagine agora essa água fluindo do seu interior. Essa é a promessa explícita de Nosso Senhor: aqueles que crêem n’Ele serão preenchidos por essa tamanha felicidade.
E não é uma promessa falsa, pois já foi atestada pela vida alegre, feliz e realizada de milhares de santos durante esses dois mil anos de cristianismo.
Só pode compreender o que é felicidade quem já a experimentou e depois, por algum motivo, abandonou esse caminho. Jesus nos oferece a felicidade verdadeira porque no seu projeto de vida, que nós chamamos Evangelho, ele promove o encontro de nós conosco mesmos, com Deus e com as outras pessoas.
Uma pessoa feliz é justamente aquela que se conhece profundamente, tanto nos seus limites, quanto nos seus talentos. Vive em paz consigo mesma, conseguiu perdoar-se a si própria pelos erros do passado.  Uma pessoa feliz, que encontrou a si mesma é uma autocensora, isto é, sabe se reprovar quando erra, e se penitencia por isso, e até por isso mesmo não se ofende quando alguém a reprova por algum defeito ou pecado. Mas também é alguém que não é dura demais consigo mesma, pois sabe que não é perfeita e reconhece a sua natureza pecaminosa, tendenciosa ao mal. Uma pessoa feliz é humilde, pois tem consciência da sua pequenez e insignificância diante de Deus e do mundo, mas nem por isso tem complexo de inferioridade, pois também tem em mente que foi querida, projetada e criada por Deus, que a ama profundamente e eternamente.
Uma pessoa feliz é aquela que encontrou-se com Deus na pessoa de seu Filho Jesus. Ela sabe que jamais será feliz trilhando um caminho paralelo ao de Jesus, pois sabe que Jesus é o único caminho para o Pai, e não há outro, como Ele mesmo disse:

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14, 6)

Até por isso mesmo quando um convertido se afasta do caminho do Senhor ele não se sente feliz, a todo o momento a sua consciência o perturba e ele permanece inquieto, porque sabe que a vida que leva não leva para lugar algum, e que seu futuro certamente só terá tristeza e desilusão. 
Quem se encontrou com Deus ama estar a sós com Ele, a oração é para ele uma alegria. Ali na solidão do seu quarto não se sente só, mas reconhece a presença d’Aquele que é mais vivo do que ele próprio, e então abre o seu coração, tem prazer de colocar cada fato ou acontecimento do seu dia diante de Deus. Na oração agradece, pede perdão e bênçãos, com a paciência de quem confia plenamente n’Aquele que o escuta.
A pessoa feliz tem prazer em fazer a vontade de Deus, cumprir os seus mandamentos, tanto fazendo o que Ele pede quanto se abstendo de fazer o que Ele reprova. O que para os outros é penoso e às vezes até incompreensível, para quem serve a Deus é a coisa mais natural de se fazer.
A comunhão eucarística é o momento mais espetacular da vida de quem encontrou-se com o Senhor, pois se trata do momento de maior intimidade possível com Aquele que mais se ama. Ele sente a sua alma exultar quando comunga, reconhece a sacralidade e a santidade do gesto, e até por isso mesmo jamais ousaria aproximar-se em pecado mortal da mesa eucarística, porque entende o tamanho do sacrilégio e da hipocrisia que encerrariam tal gesto. Seria, mal comparando, o mesmo que beijar a própria esposa dizendo que a ama minutos depois de tê-la traído. 
Ouvir a Palavra de Deus, a Sagrada Escritura, é para aquele que conhece a Deus como escutar a melhor das músicas, o ritmo musical que mais lhe agrada. Ele sente que não são palavras comuns, não! Sua alma exulta, seu coração às vezes queima, às vezes se acalma. O temor se apodera dele quando escuta um mandamento do Senhor que ainda não executou ou que lentamente executa ou que executa de forma pouco zelosa. Ele se entristece quando escuta as promessas de felicidade reservadas para os que amam a Deus, se ele está trilhando um caminho mau. E pelo contrário, se enche de esperança se tem certeza que está num bom caminho. O salmo primeiro é a vida que almeja:

“Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os zombadores. Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite. Ele é como a árvore plantada na margem das águas correntes: dá fruto na época própria, sua folhagem não murchará jamais. Tudo o que empreende, prospera. Os ímpios não são assim! Mas são como a palha que o vento leva. Por isso não suportarão o juízo, nem permanecerão os pecadores na assembleia dos justos. Porque o Senhor vela pelo caminho dos justos, ao passo que o dos ímpios leva à perdição.” (Salmos 1)

Na nossa relação com o próximo, isto é, com nossos familiares, amigos, colegas de trabalho, irmãos da igreja e todas as pessoas com as quais convivemos no dia a dia, tudo muda, torna-se completamente outra quando assumimos o Evangelho como nosso projeto definitivo de vida. Passamos a respeitar o outro como pessoa, atentamos para suas fragilidades emocionais e materiais, procuramos não julgá-lo em seus pecados.
Um verdadeiro convertido procura sempre fazer o bem ao próximo, porque sabe que Jesus colocou o amor do próximo como o segundo mandamento mais importante, logo atrás do amor que devemos à Deus:

“Respondeu Jesus: ‘Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Esse é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo. Nesses dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas’.” (Mateus 22, 37-40)

É como escreveu o papa Bento XVI em uma de suas cartas:

“Jesus uniu — fazendo deles um único preceito — o mandamento do amor a Deus com o do amor ao próximo.” (Papa Bento XVI, Deus Caritas Est 1)

Além de o amor ao próximo ser mandamento divino, nós também devemos amar nossos semelhantes por causa do que São João diz na sua primeira carta:

“Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia o seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê.” (1ª João 4, 20)

Quando nos convertemos paramos de enxergar o mundo como uma grande selva, um lugar de competição. Não vemos mais os outros como inimigos, mas como irmãos. Não desejamos nada que os outros possuem, mas nos satisfazemos com o que é nosso, e isso faz cessar a inveja. O próximo deixa de ser “alvo” da nossa ira, ganância e inveja, e passa a ser visto com um olhar de compaixão, como alguém que necessita de ajuda e atenção. 
Quando nos convertemos as máscaras que trazíamos caem, e então perdemos o medo de expressar os nossos sentimentos para com as outras pessoas. Agora já podemos dizer: “Eu te amo”, para aquelas pessoas que sempre expressaram o amor por nós, e podemos a todo instante expressar a nossa gratidão aos amigos e todos que de alguma forma nos ajudam.
Se tínhamos algum sentimento de superioridade com relação a alguém, deixamos de tê-lo, porque compreendemos que todos são iguais perante Deus, e se isso é verdade então ninguém é maior ou melhor que ninguém, não importa de que família venha, que cargo ocupe ou a quantidade de bens materiais que possua, como diz São Francisco:

“O homem vale o que é diante de Deus e nada mais.” (São Francisco de Assis, Admoestações XIX)

Um verdadeiro convertido não tem preconceitos com ninguém e não trata nenhuma pessoa com rudeza, nem por causa de cor da pele, situação financeira, religião, nem por motivo algum. Tudo isso cai por terra e não tem mais importância, porque compreendemos que todos saímos do mesmo lugar e possuímos a mesma dignidade.
Uma frase de São Francisco descreve como deve ser o comportamento de um convertido:

“Feliz o servo que se acha tão humilde no meio de seus súditos como se estivesse entre seus senhores” (São Francisco de Assis, Admoestações XXIII)

Um verdadeiro convertido se aproxima, respeita e ama cada um da mesma forma que se aproxima, respeita e ama o Santíssimo Sacramento. Uma vida assim só pode ser descrita com uma palavra: Harmonia. A vida de um cristão convertido é uma vida em harmonia com Deus, consigo mesmo e com o próximo.

sábado, 14 de abril de 2018

É Deus quem nos converte


Por Visão Transcendente

A fé é um dom de Deus, um presente que nos foi dado por Ele. A fé é a graça especialíssima concedida gratuitamente a nós por Deus (sem merecimento nenhum da nossa parte) para que pudéssemos transcender as aparências deste mundo e acreditar nas verdades eternas e imutáveis estabelecidas por Ele para a realização da sua soberana vontade, que é também a nossa felicidade. Em palavras ainda mais simples: a fé é o meio que Deus nos deu de crer n’Ele e amá-lo para que assim possamos ser felizes.
Mas a fé, além de ser um presente liberal de Deus, é também uma resposta da nossa parte ao seu grande amor por nós. Diz o Catecismo da Igreja Católica:

“A fé é a resposta do homem a Deus que se revela e a ele se doa, trazendo ao mesmo tempo uma luz superabundante ao homem em busca do sentido último de sua vida.” (Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 26)

Essa resposta por meio da fé conduz-nos quase que obrigatoriamente à uma mudança de vida, à uma conversão, pois não é possível entrar no caminho de Deus e permanecer com a mesma vida de sempre, ou seja, com a mesma mentalidade, os mesmos hábitos, a mesma maneira velha de se comportar. É como escreveu São Paulo:

“Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória.” (Colossenses 3, 1-4)

“Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo.” (2ª Coríntios 5, 17)

A conversão é um processo de morte e ressurreição, como diz São Paulo na passagem bíblica acima, morte do meu eu, da minha vontade própria egoísta, dos meus maus hábitos, é uma renúncia aos meus erros cometidos no passado; e é também uma ressurreição, isto é, um renascimento para as coisas boas que a vida nos oferece, um renascimento para o amor, é quando eu deixo de ser o centro da minha vida, é quando a minha vida deixa de ser autorreferencial e passa a ser teocêntrica, ou seja, ocupada pelo amor a Deus e pelo bem que eu devo fazer às outras pessoas por causa de Deus, especialmente às que me amam.
Gostaria que você gravasse isso muito bem, pois é um dos princípios espirituais mais importantes: é Deus quem nos converte. A minha mudança de vida é “produto” unicamente da ação do Espírito Santo, e eu não tenho nenhum mérito nela. A minha conversão é fruto da graça divina. Foi Deus quem me criou, me deu corpo e alma, foi Ele que me fez nascer em condições tais que eu pudesse conhecê-lo, ou seja, me fez nascer em uma família cristã ou num país no qual o cristianismo está presente, etc. Foi Deus quem me atraiu até Ele, por caminhos invisíveis que só a fé me faz enxergar, e finalmente é Ele quem, após o meu livre consentimento, age nos meus membros e na minha mente para que eu possa amá-lo, rezando e fazendo a sua santíssima vontade. Foi Nosso Senhor quem nos escolheu, e não nós a Ele:

“Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça.” (João 15, 16)

Por isso não cabe ao convertido se vangloriar, se achar superior aos outros, ou achar que a sua mudança de vida é fruto unicamente do seu próprio esforço. Na verdade é Deus quem vem em nós cumprir a sua vontade. São Paulo expressa essa verdade importantíssima através dessas palavras:

“Porque é Deus quem, segundo a sua vontade, opera em vós o querer e o fazer.” (Filipenses 2, 13)

Nosso Senhor mesmo já havia expressado essa sentença:

“Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”. (João 15, 5)

Jesus expressou bem a sua reprovação contra aqueles que se vangloriam diante de Deus quando contou aquela parábola do fariseu e do publicano que foram ao templo rezar:

”Propôs também a seguinte parábola a alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: Subiram dois homens ao templo para orar: um fariseu e outro publicano. O fariseu, posto em pé, orava dentro de si desta forma: Ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, que são ladrões, injustos, adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, porém, estando a alguma distância, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim pecador. Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado.” (Lucas 18, 9-14)

Que Deus nos ajude a ser, no nosso processo de conversão, sempre como esse publicano: humildes porque conscientes dos nossos pecados e das nossas limitações e sempre abertos à necessidade da graça de Deus.
O perigo que corremos ao atribuir somente a nós mesmos os méritos da nossa conversão é cair na heresia do pelagianismo. Trata-se de uma heresia iniciada na Antiguidade por um monge chamado Pelágio. Ele dizia que não era necessário o auxílio da graça de Deus para que o ser humano realizasse atos de virtude. Cristo morreu na cruz e deu o exemplo. Bastaria ao homem segui-lo. Essa heresia foi condenada pela Igreja em todos os tempos, justamente porque nega o poder da ação da graça de Deus na nossa alma e diminui os méritos da paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo para a nossa salvação. Por isso tenhamos muito cuidado: a humildade deve ser sempre uma das nossas metas, humildade no falar, no pensar e no agir, sempre. E que tenhamos sempre em consciência essa verdade: é Deus quem me converte.