quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Estar dispostos a aprender com Deus

"Será que sempre estamos dispostos a aprender? Será que as lições da fé não 'entram por um ouvido e saem pelo outro'?"





Por Visão Transcendente

Na caminhada de fé nós somos todos discentes. A todo instante nos deparamos com alguém que deseja nos dar lições. Como viver? Como falar? Como se relacionar com os outros? Que escolha fazer? Como rezar? Dizer sim ou dizer não à isso e/ou àquilo? etc. Todas essas questões e outras tantas são respondidas por algum irmão(ã) na fé sempre bem intencionado(a). Pode ser um amigo(a), um familiar, um diretor espiritual... A todo momento podemos ser humildes e ouvindo tirar de cada conselho um ensinamento precioso para a vida.

A reflexão que quero fazer é a seguinte: Será que sempre estamos dispostos a aprender? Será que as lições da fé não "entram por um ouvido e saem pelo outro"? Quantas vezes não sentamos no banco da igreja durante a liturgia da Palavra para ouvir as leituras bíblicas e a homilia do pregador e logo logo, mal acaba a Missa, já esquecemos de tudo o que foi dito? Quantos conselhos nos foram dados exaustivamente pelos nossos pais e mesmo assim fazemos tudo o contrário e "quebramos a cara"?

Uma das coisas que mais me causa estranheza é ver uma pessoa com muitos anos de caminhada na Igreja se comportando orgulhosamente como um pagão, dizendo e fazendo coisas escrachadamente contrárias à fé cristã, sem esboçar nenhum sinal de vergonha. Defendem ideias diametralmente contrárias à doutrina cristã, se compartam e incentivam comportamentos imorais. São deselegantes e às vezes até estúpidas no trato com as outras pessoas. São orgulhosas e nem um pouco humildes, mesmo sabendo que o nosso Deus quando se encarnou neste mundo viveu sempre pobre e humilde. São preconceituosas, ao contrário de Jesus que não julgava ninguém e sempre acolhia a todos(as). E não obstante tudo isso, continuam indo à igreja alegremente, ocupam funções de liderança nos grupos laicais e ainda dão uma de formadores de cristãos.

Coloquemos a "mão" na nossa consciência e respondamos com sinceridade: ouço tantos e bons conselhos, procuro seguir algum deles? A Palavra de Deus me interpela e me faz rever as atitudes que tomo? Será que já não me acostumei a viver na hipocrisia, isto é, eu sei o que é a verdade, mas não me esforço nenhum pouco para me conformar com ela? 

domingo, 25 de outubro de 2015

Jesus cura a cegueira da alma

"Recuperados da visão estamos se ouvimos a Palavra de Cristo e lhe obedecemos, se entramos em comunhão com Ele e lhe amamos. Aí então a luz da vida estará em nós." 




Por Visão Transcendente


O Evangelho que a Igreja proclama na Missa deste domingo (Marcos 10, 46-52) apresenta Jesus como o "Divino oftalmologista", como o Enviado da parte de Deus para curar a cegueira da nossa alma.

O cego da passagem bíblica não tem nome. O evangelista Marcos diz que o cego é Bartimeu, isto é,  "Bar" que significa filho e Timeu que é um nome próprio, ou seja, filho de Timeu. Toda vez que o Evangelho não apresenta o nome de alguém é para que nós coloquemos o nosso nome naquela personagem. Na verdade o cego da passagem evangélica deste domingo sou eu e é você.

Nós, assim como Bartimeu, clamamos recorrentemente por piedade e ajuda no meio da escuridão dos acontecimentos cotidianos, mas ao contrário dele, muitas vezes o nosso clamor não está dirigido para Jesus, mas sim para pessoas frágeis como nós, que no fundo não podem nos dar toda a luz necessária para findar a escuridão da nossa alma, simplesmente porque elas não possuem essa luz. Jesus, Ele sim, não só possui a luz que necessitamos, mas na verdade Ele é a própria luz do mundo, quem o segue não andará jamais nas trevas, mas terá sempre a luz da vida (Jo 8, 12).

A passagem bíblica em questão também diz que muitos repreendiam Bartimeu quando ele gritava para Jesus, pedindo que se calasse. Assim também acontece conosco. Essa é a voz do mundo nos dizendo que não gritemos para Jesus, pois Ele não nos escuta, Ele tem coisas mais importantes para se preocupar, Ele talvez nem exista. Quantas vezes logo no início da nossa caminhada de fé nós não ouvimos tantas pessoas a nos dizer coisas semelhantes a estas: "para que ir para a igreja?", "do que adianta rezar?", "Deus não existe", "na igreja não tem nada de bom para você", "você está desperdiçando o seu tempo", "tem coisas mais interessantes para fazer do que ir para a igreja". É a voz do mundo querendo que nós desistamos. O Evangelho de hoje diz que quando era repreendido Bartimeu gritava ainda mais forte, e é essa a atitude que o Senhor Jesus espera de nós. Depois de tanta insistência Jesus o chama. O Mestre está a nos ensinar que a perseverança é uma virtude que Deus deseja ver presente em nós. Você clamou, parece que Deus não te ouviu porque a demora é grande, continue clamando pois com certeza Ele quer provar a sua fé por meio da perseverança. No final o Senhor lhe dirá como disse a Bartimeu: "A tua fé te salvou".

O Evangelho também diz que ao ouvir o chamado de Jesus Bartimeu jogou fora o seu manto. O Magistério da Igreja nos ensina que essa atitude significa que para sermos curados da cegueira da alma nós devemos jogar fora, abandonar, deixar no passado o nosso estilo de vida corrompido pelo pecado e seguir Jesus despojados dos nossos apegos desordenados e dos maus afetos.

A passagem bíblica por ora meditada também fala que o cego Bartimeu estava sentado à beira do caminho. Na parábola do semeador (Mc 4, 3-9.14-20) esse lugar é onde a semente cai, mas não dá fruto porque é arrebatada pelos pássaros do céu. Jesus explica que esses são aqueles que escutam a Palavra de Deus, mas que logo depois de a terem ouvido vem satanás e rouba aquela Palavra dos seus corações. Assim estamos nós, cegos pelo demônio se vivemos no pecado e pautamos a nossa vida pelo que nos diz o mundo. E recuperados da visão estamos se ouvimos a Palavra de Cristo e lhe obedecemos, se entramos em comunhão com Ele e lhe amamos. Aí então a luz da vida estará em nós e poderemos dizer como no salmo de hoje: "Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria"