quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A segunda natureza



Por Visão Transcendente


Nós católicos acreditamos na santidade, na perfeição que um cristão pode atingir, que nós consideramos a plenitude da vida cristã. Cremos numa mudança completa e total da pessoa a partir do seu encontro pessoal com o Senhor Jesus, ou seja, na essência do ser e não só nas aparências. Nós acreditamos que o pecado pode ser completamente extinto da alma.
 
Essa nossa crença se apoia na própria Bíblia Sagrada: "Sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou Santo" (Lv 19, 2); "Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 5, 48). E também se apoia na vida bem-aventurada de tantos santos e santas que nos precederam, e que chegaram a tal "estatura" de santidade que não conseguimos ver senão Jesus nas suas atitudes e palavras. Exemplos: São Francisco e Santa Clara de Assis, São Filipe Néri, Beata Madre Teresa de Calcutá, Santa Teresinha do Menino Jesus, São João Paulo II, São Pio de Pietrelcina, São João Maria Vianney, São Paulo Apóstolo e tantos outros(as).

Apesar disso, nós acreditamos também que a nossa natureza humana encontra-se num estado decaído, ou seja, existe dentro de cada pessoa uma tendência para o mal, para o pecado, que a todo instante tenta nos atrair para a prática do que não presta. A isso nós chamamos pecado original, que todo mundo nasce consigo.

No entanto, Deus quer e tem o poder de nos transformar de tal maneira que nós adquirimos uma segunda natureza, nós podemos ser transformados verdadeiramente, a ponto de podermos ser chamados de novas criaturas, renascidas: "Se alguém está em Cristo é nova criatura; as coisas antigas já se passaram, eis que tudo se fez novo" (2ª Cor 5, 18); "Quem não renascer pela água e pelo Espírito Santo, não pode entrar no Reino de Deus" (Jo 3, 5).

Esse ensinamento é importante principalmente para aquelas pessoas que acham que no fundo, no fundo todos são pecadores e pecadores morrerão. Acreditam elas que as pessoas podem melhorar um pouquinho, abandonar algum vício, mas que sempre existirá maldade no coração de cada um. Que não adianta querer fazer tudo certo, porque a imperfeição sempre vai existir. Pensam elas que não adianta rezar muito, jejuar, fazer penitência, não! Tudo isso é exagero e fanatismo. Basta eu fazer algum bem, e não cometer aqueles pecados mais graves, como roubar, matar, se prostituir. Basta isso, porque no final das contas, na cabeça dos que não creem na santidade, é só isso mesmo que nós somos capazes de fazer e nada mais. Para essas pessoas Jesus é o exemplo a ser seguido, mas não é a meta, porque nunca conseguiremos imitá-lo. Cristo é o ideal, mas a realidade é bem diferente. Já ouvi até alguém de igreja dizer que é pecado querer ser como Jesus, porque Ele é Deus, e é pecado querer ser como Deus. O que contraria o que o próprio Jesus disse: "Aquele que crê em mim fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas" (Jo 14, 12).

Fica então esse ensinamento, que é a doutrina da nossa Igreja, para que nunca mais repitamos que é vão esforçar-se para chegar onde Deus quer (não confunda com pelagianismo, estou falando de penitência e caridade, e não em querer ser santo sem o auxílio divino), que a santidade na verdade não existe. Essa convicção também nos ajudará a sair do comodismo de achar que eu sou o que sou e não posso ser melhor. Não! Sempre é possível melhorar, e de melhora em melhora chegar à perfeição, ser outro "Cristo", como Ele mesmo quer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário