Do Papa Francisco, Missa Pro Ecclesia, Primeira Homilia em
14/03/2013
Leituras: Is 2,2-5; Sl 97; 1 Pd
2, 4-9
Evangelho: Mt 16, 13-19
Nestas três leituras reconheço-lhes algo de comum: o
movimento. Na Primeira Leitura o movimento no caminho, na Segunda Leitura, o
movimento na edificação da Igreja; na terceira, no Evangelho, o movimento no
professar. Caminhar, edificar, professar.
Caminhar. “Casa de Jacó, vinde, caminhemos na luz do Senhor”
(ls 2,5). Esta é a primeira coisa que Deus diz a Abraão: Caminha na minha
presença e sê irrepreensível. Caminhar: a nossa vida é um caminho e quando
paramos, não corre bem. Caminhar sempre, na presença do Senhor, à luz do
Senhor, procurando viver com aquela irrepreensibilidade que Deus pedia a Abraão
na sua promessa.
Edificar. Edificar a Igreja. Fala-se em pedras: as pedras
têm consistência; mas pedras vivas, pedras untadas pelo Espírito Santo.
Edificar a Igreja, a Esposa de Cristo, sobre aquela pedra angular que é o
próprio Senhor. Eis um outro movimento da nossa vida: edificar.
Em terceiro lugar, professar. Podemos caminhar quanto
quisermos, podemos edificar muitas coisas, mas se não professarmos Jesus
Cristo, não corre bem. Nos tornaremos uma ONG que presta assistência, e não a
Igreja, Esposa do Senhor. Quando não caminhamos, permanecemos parados. Quando
não se edifica sobre as pedras o que é que acontece? Passa-se o mesmo com as
crianças, na praia, quando constroem castelos na areia e tudo desaba sem
consistência.
Quando não se professa Jesus Cristo, vem-me à memória a
frase de León Bloy: “Quem não prega o Senhor, prega o diabo”. Quando não se
professa Jesus Cristo, professa-se a mundanidade do demônio.
Caminhar, edificar-construir, professar. Não é assim tão
fácil, porque no caminhar, no construir, no professar, por vezes sofremos
choques, sucedem ações que não são próprias das ações do caminhar: são ações
que nos fazem andar para trás.
Este Evangelho prossegue com uma situação especial. O mesmo
Pedro que professou Jesus Cristo, diz-Lhe: Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo.
Seguir-te-ei. Seguir-te-ei, mas não falemos de Cruz. Isso não interessa.
Seguir-te-ei de outras formas que não a Cruz. Quando caminhamos sem a Cruz,
quando edificamos sem a Cruz e quando professamos um Cristo sem a Cruz, não
somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos Bispos, Padres, Cardeais, Papas,
mas não discípulos do Senhor.
Queria que todos, assim que passarem estes dias de graça,
que tivéssemos a coragem, uma verdadeira coragem, de caminhar com o Senhor
presente, com a Sua Cruz; de edificar a Igreja sobre o Seu sangue derramado
sobre a Cruz; e de professar a única glória: Cristo Crucificado. Assim a Igreja
seguirá em frente.
Desejo para todos nós que o Espírito Santo, pela oração a
Nossa Senhora, nossa Mãe, nos conceda esta graça: de caminhar, edificar,
professar Jesus Cristo Crucificado.

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