De Pe. Paulo Ricardo de Azevedo, Um olhar que cura: terapia das doenças espirituais. São Paulo: Editora Canção Nova, 2014. p. 21-22.
Ora, não é difícil perceber a loucura de quem se revolta contra seu próprio Criador. Tal atitude iguala-se a de uma criança que dá socos e pontapés no pai, que, com suas mãos amorosas, sustenta-a e impede que caia no precipício.
Na tentativa de expressar a loucura deste amor doentio, São Máximo sintetizou, de forma bastante intuitiva, esta realidade patológica ao descrever a filáucia como "o amor de si contra si".
Será possível entender melhor a questão se pegarmos como exemplo a pessoa viciada em drogas. O toxicodependente se entrega ao vício porque "se ama", mas não é difícil perceber que se trata de um amor desordenado. Ele busca a própria felicidade nas alucinações resultantes do entorpecente, mas o que encontra, na verdade, é a própria destruição. Só o drogado não vê que está transformando a própria vida e a vida dos que o amam num inferno. É uma espécie de amor autodestruidor.
Pois bem, "o pecado é sempre uma 'droga', mentira de falsa felicidade". Todas as vezes que nos entregamos ao pecado, caímos na loucura de quem deseja se salvar e termina se perdendo (cf. Mc 8,35). E aqui a palavra loucura não é um exagero e nem simplesmente um estilo de linguagem.
Se, andando pela rua, encontrássemos uma pessoa mutilando a si mesma e arrancando pedaços de seu próprio corpo, não hesitaríamos em dizer que se trata de um louco, pois dilacerar os próprios membros "é próprio de furiosos e de loucos". Tal é a nossa condição de pecadores. Achamo-nos muito inteligentes ao deixar Deus de lado e inventar uma forma nova de amor-próprio, mas acabamos por nos destruir.

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