Por Visão Transcendente
A
Igreja identifica três “vias” paralelas que conduzem o nosso coração de volta
para Deus, e são essas as vias que devem ser restauradas ou redimidas: a fé, a esperança e a caridade.
A conversão dessas três vias começa sempre pela oração, mas principalmente a fé necessita da oração, pois esta é como o oxigênio daquela. Essa é a primeira atitude que você deve tomar: voltar a rezar. Mas, agora, você deve rezar corretamente. Você pode ter se perguntado: Como assim? Então é possível rezar errado? Sim, é possível. E o erro que pode acontecer na oração não é pronunciar incorretamente as palavras que dizemos. Os erros principais que cometemos na oração são rezar de maneira superficial, com má vontade, sem respeito pelo sagrado ou só por obrigação.
A nossa oração não pode ser superficial, mas, pelo contrário, deve ser profunda e ardente. A oração profunda é aquela na qual expomos a Deus toda a nossa vida, cada atitude tomada, boa ou má. As atitudes boas pedimos a Deus que as conserve e aperfeiçoe para que possamos crescer na caridade, e das atitudes más pedimos perdão ao Senhor e suplicamos que nos dê forças para resistir nas tentações. Colocamos diante de Deus também os nossos pensamentos, desejos, sonhos e projetos espirituais, mas também os materiais (pois Ele é o Criador da nossa alma, mas também é o Criador do nosso corpo), pedimos a Deus que purifique tudo isso e que nada seja para proveito mundano, mas para a honra e glória d’Ele, para que possamos chegar ao Céu.
Pedimos a Deus também pelas outras pessoas. Não devemos ser egoístas. A oração que fazemos pelos outros, pelos irmãos, chama-se intercessão. Um dos meus formadores dentro da Família Franciscana uma vez me disse uma coisa que me marcou muito e que me lembro todas as vezes que rezo ou que falo sobre a oração para alguém, ele me disse: “Quem reza pelos outros não precisa nem rezar por si mesmo”. É verdade, rezar pelo próximo é uma atitude bonita de caridade, que com certeza é reconhecida por Deus que nos vê desejando para os outros coisas boas e santas, aquilo que muitas vezes nem nós próprios possuímos. Quando eu sou encarregado de organizar momentos de oração nas reuniões das pastorais, nas novenas e nos encontros de catequese, frequentemente eu peço que todos façam um círculo e que rezem pedindo a Deus pela pessoa que se encontra à sua esquerda e à sua direita algo espiritual ou material que você gostaria de ter e não possui. É a atitude do próprio Jesus Nosso Senhor. Pode ler todo o Evangelho e você vai ver poucas vezes Jesus rezando ao Pai por si próprio. Jesus sempre intercedia pelos outros, até pelos seus inimigos e carrascos, e quando pedia por si mesmo era para que o Pai lhe ajudasse a cumprir a sua vontade pelo bem do próximo. Como, por exemplo, na véspera de sua Paixão, em que Ele foi ao Getsêmani para suplicar ao Pai que lhe desse forças para aceitar o amargo cálice que teria de beber pela salvação da humanidade, que era a sua própria morte, que foi uma morte violenta, cruel, vexatória e humilhante.
Pedimos a Deus também pelas outras pessoas. Não devemos ser egoístas. A oração que fazemos pelos outros, pelos irmãos, chama-se intercessão. Um dos meus formadores dentro da Família Franciscana uma vez me disse uma coisa que me marcou muito e que me lembro todas as vezes que rezo ou que falo sobre a oração para alguém, ele me disse: “Quem reza pelos outros não precisa nem rezar por si mesmo”. É verdade, rezar pelo próximo é uma atitude bonita de caridade, que com certeza é reconhecida por Deus que nos vê desejando para os outros coisas boas e santas, aquilo que muitas vezes nem nós próprios possuímos. Quando eu sou encarregado de organizar momentos de oração nas reuniões das pastorais, nas novenas e nos encontros de catequese, frequentemente eu peço que todos façam um círculo e que rezem pedindo a Deus pela pessoa que se encontra à sua esquerda e à sua direita algo espiritual ou material que você gostaria de ter e não possui. É a atitude do próprio Jesus Nosso Senhor. Pode ler todo o Evangelho e você vai ver poucas vezes Jesus rezando ao Pai por si próprio. Jesus sempre intercedia pelos outros, até pelos seus inimigos e carrascos, e quando pedia por si mesmo era para que o Pai lhe ajudasse a cumprir a sua vontade pelo bem do próximo. Como, por exemplo, na véspera de sua Paixão, em que Ele foi ao Getsêmani para suplicar ao Pai que lhe desse forças para aceitar o amargo cálice que teria de beber pela salvação da humanidade, que era a sua própria morte, que foi uma morte violenta, cruel, vexatória e humilhante.
O papa Francisco, na oração do Ângelus do dia 14 de dezembro de 2014, após falar sobre a oração, distribuiu aos que estavam presentes na praça de São Pedro um livreto de 40 páginas sobre este tema. Nesse livreto, nas páginas 32 e 33, havia uma interessante técnica de oração pelos irmãos, que o papa chamou de oração dos cinco dedos. Leiamos e aprendamos com o papa:
“O dedo polegar, ‘o dedo que te é mais próximo’, faz-nos pensar e rezar por quem está mais próximo de nós, ‘as pessoas de quem nos recordamos mais facilmente’, rezar por todos os nossos entes queridos ‘é uma doce obrigação’. O dedo indicador recorda-nos de rezar por quem tem a função de dar indicações aos outros, isto é, ‘aqueles que ensinam, educam e tratam’, categoria que compreende ‘mestres, professores, médicos e sacerdotes’. O dedo médio, o dedo mais alto, lembra ‘os nossos governantes’, as pessoas ‘que gerem o destino da nossa pátria e orientam a opinião pública precisam da orientação de Deus’. O dedo anelar ‘é o nosso dedo mais fraco, como pode confirmar qualquer professor de piano’; ele ‘recorda-nos de rezar pelos mais fracos, por quem tem desafios a enfrentar, pelos doentes’ que têm necessidade da ‘tua oração de dia e de noite’, bem como pelos esposos. Por fim, o dedo mindinho, o dedo mais pequeno, ‘como pequenos nos devemos sentir diante de Deus e do próximo’, convida a rezar por nós próprios: ‘Depois de teres rezado por todos os outros, poderás compreender melhor quais são as tuas necessidades, olhando-as na justa perspectiva’.” (Papa Francisco, Oração dos cinco dedos)
Todas as nossas orações também devem conter louvores e agradecimentos a Deus. Na verdade, eu acho que isso é o essencial da oração. Se um dia você dispuser de pouco tempo para rezar, então simplesmente agradeça e louve ao Senhor. O louvor acontece quando reconhecemos a grandeza, a majestade, a glória, a santidade e o senhorio de Deus com relação à nós e à tudo o que existe. É dizer: “Tu és grande, majestoso, glorioso e santo, Senhor do Céu e da Terra, e eu sou um pequeno mísero pecador, necessitado da vossa preciosa graça e bênção”. Já o agradecimento é o reconhecimento da bondade e da providência divinas, é reconhecer que nada do que temos vem de nós, mas tudo nos foi concedido pelo Criador, como diz São Paulo:
“Que é possuis que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o tivesses recebido?” (1ª Coríntios 4, 7)
A nossa oração também não deve ser feita com má vontade. A nossa disposição para rezar é muito importante, principalmente no início da nossa caminhada de fé, pois necessitamos tornar a oração um hábito. A oração só frutificará em transformação de vida se ela for tornada um hábito no nosso dia a dia, ou seja, se ela se tornar parte essencial do nosso dia, ou como se diz: se ela se tornar rotina.
Para destruir a má vontade na hora de rezar é preciso seguir algumas dicas. Em primeiro lugar, o que deve nos motivar para a oração é o entendimento da grandeza desse momento: nós vamos falar ao Deus do Universo, e o mais impressionante é que Ele nos escuta, nos ouve a nós que somos tão pequenos, infinitamente pequenos e indignos se comparados com Ele. A oração é um momento mais que especial. Você já parou para refletir o quanto impressionante e maravilhoso é o fato de que Deus escute a oração de um mísero pecador, que diante da grandeza de Deus é menos que um grão de poeira? Mas, apesar disso, Deus nos escuta e se preocupa com cada um de nós. Essa é uma das revelações mais impressionantes e confortadoras que o Senhor Jesus veio nos trazer. Deus é nosso amigo, nosso Pai amoroso, que na oração nos espera para que lhe digamos a nossa necessidade, para que Ele possa mostrar a grandeza do seu amor concedendo o que nós lhe pedimos.
Não precisaria de mais nada para nos incentivar para a oração, além desse pensamento acima exposto, mas existem ainda outras coisas que atrapalham a nossa oração. A agitação do mundo e a preocupação exagerada com as coisas mundanas, por exemplo, são duas difíceis barreiras que temos de ultrapassar se quisermos ser orantes (pessoas de oração). A agitação do mundo, nós vencemos acalmando o nosso coração, silenciando o ambiente no qual vamos rezar. Uma boa música cristã de meditação, daquelas de melodias calmas, também pode ajudar muito. Mas, o principal remédio para vencer a agitação é o recolhimento interior constante, ou seja, é não se “abrir” totalmente para o mundo, mas, na medida do possível, conservar o silêncio e a paz no coração na execução das tarefas diárias. O recolhimento interior começa por não falar demais, mas procurar falar apenas o necessário. Depois é importante não gerar barulho, procurar ter o pensamento ligado sempre à Deus e à coisas positivas e alegres. Não alimentar pensamentos depressivos, pessimistas e impuros.
Já para vencer a preocupação exagerada com os problemas diários, é preciso entender que nem tudo nós somos capazes de mudar e que a nossa preocupação não vai resolver problema nenhum, mas, pelo contrário, pode nos levar para o desespero e para a impaciência que, ao invés de ajudar, só fazem nos atrapalhar ainda mais. E em segundo lugar, nós somos cristãos católicos e acreditamos que existe um Deus providente que nos ajuda em cada coisa do dia a dia. Acreditamos que Ele vai resolver os problemas que possuímos da melhor maneira possível, porque nos ama. Esse entendimento deve fazer o nosso coração repousar, senão acabamos tendo uma atitude de falta de fé e de confiança em Deus. Várias vezes no Evangelho Jesus nos ensina a confiar no Pai acima de tudo:
“Considerai os lírios, como crescem; não trabalham, nem fiam; contudo vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. Se, pois, Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais vós, homens de pouca fé? Não procureis, pois, o que haveis de comer, ou o que haveis de beber, e não andeis preocupados. Porque os homens do mundo é que se preocupam com todas essas coisas. Mas vosso Pai bem sabe que precisais de tudo isso. Buscai antes o Reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo.” (Lucas 12, 27-31)
“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.” (João 14, 1)
“Eu não te disse que, se acreditares, verás a glória de Deus?” (João 11, 40)
Outro mal que nos impede de rezar bem e colher frutos da nossa oração é rezar só por obrigação. O ato de rezar deve sempre ser espontâneo, deve sempre nascer de um bom desejo de encontrar-se com Deus. A partir do momento que a oração se torna apenas uma obrigação penosa e custosa à nossa natureza, temos um sintoma de que alguma coisa está errada na nossa vida espiritual, porque nada nessa vida deveria nos dar mais prazer do que falar a Deus e saber-se ouvido por Ele. Se a oração se tornou algo tão monótono e chato a ponto de só a fazermos porque consideramos uma obrigação, é porque alguma coisa ruim entrou no nosso coração. Essa coisa ruim pode ser falta de fé, apego desordenado à alguma coisa ou à alguém, valorização excessiva das coisas do mundo, preguiça espiritual, entendimento errado do que seja a oração ou sufocamento da alma causado pela longa perseverança (ou obstinação) em um pecado. Para voltar a rezar com gosto, necessitamos primeiro vencer cada um desses obstáculos. Necessitamos recobrar e fortalecer a fé; desapegarmos-nos das coisas e das pessoas; valorizar menos o que é passageiro; reacender em nós a coragem e a vontade de buscar a Deus na oração; conscientizarmos-nos da grandeza e da importância do ato de rezar, de falar ao Criador do Universo, de saber que o Deus Todo-Poderoso escuta-nos; e abandonarmos o pecado que atormenta a nossa vida dia e noite, nos impedindo de ser felizes na única vida que Deus nos concedeu.
Outra coisa importantíssima para a oração, mas que muitas vezes é esquecida ou negligenciada é o respeito pelo sagrado. A oração não consiste só em palavras, mas também em gestos. Nós devemos saber a maneira correta de se portar fisicamente durante a oração, porque quando rezamos é todo o nosso ser que reza, ou seja, a alma e o corpo. Na catequese de preparação para a primeira Comunhão e para a Crisma, nós aprendemos de nossos(as) catequistas que existem duas posições preferíveis para se rezar: em pé ou ajoelhado. Se você já prestou bem atenção são nessas duas posições que ficamos durante a Missa nos momentos de oração, nós só nos sentamos na Missa para ouvir as leituras bíblicas e a homilia do padre. Nos “oremos”, no credo, na oração da assembleia e na oração eucarística da Missa, nós ficamos de pé. E no momento mais santo da celebração, que é a consagração, nós ficamos ajoelhados. Pois, da mesma maneira que nós rezamos na Missa, nós devemos rezar em casa ou publicamente em outros momentos de oração. Nada de rezar deitado ou escorado, essas posições são para quem está doente ou impossibilitado de ficar em pé ou de ajoelhar-se. Se não estamos doentes nem incapacitados, rezar deitado ou escorado é sinal de preguiça ou negligência, ou seja, é desrespeito para com Deus. Particularmente é recomendada a oração de joelhos por dois motivos: primeiro, porque é um sinal de humildade e rebaixamento diante de Deus, é uma maneira de reconhecer que nós somos inferiores à Ele; segundo porque é também uma penitência corporal. Santo Agostinho dizia que nunca o ser humano é tão grande do que quando ele está ajoelhado diante de Deus. Mas isso não significa que não possamos também rezar sentados. Rezar sentado é outra opção, a terceira, especialmente quando rezamos com a Sagrada Escritura e intercalamos a oração e a meditação dos textos bíblicos; ou então quando desejamos rezar em segredo, sem sermos percebidos, seguindo o conselho de Nosso Senhor:
“Quando orardes, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará.” (Mateus 6, 6)
Outra forma de ser desrespeitoso com o sagrado é não dispensar a devida reverência às coisas sagradas. Por exemplo, quantas vezes entramos na igreja e não fazemos a reverência ao altar ou ao sacrário? Esses dois objetos são os mais importantes dentro do templo cristão, pois são neles que a presença material de Deus acontece: no altar, o pão e o vinho se tornam o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, e é no sacrário onde ficam guardadas as hóstias consagradas, ou seja, ali dentro daquele pequeno objeto, o Rei e Criador do Universo faz morada.
Durante a Missa muitas vezes nós conversamos, saímos da igreja e entramos novamente, não nos concentramos e ainda mais tiramos a atenção das outras pessoas. Isso é muito grave, pois a Missa é a renovação do Sacrifício de Jesus no Calvário, e da participação na Missa depende a nossa salvação e a salvação do mundo inteiro. O silêncio, o recolhimento e a atenção durante a Missa são as três atitudes mais recomendáveis para podermos celebrar bem os sagrados mistérios, e assim recolhermos frutos de conversão para nós.
Fazer o sinal da cruz ao passar diante de uma igreja Católica também é um gesto antigo de respeito e veneração pela única Igreja que Jesus Cristo mesmo fundou e deixou neste mundo, e vemos esta bonita tradição praticamente morta atualmente. Necessário se faz recuperarmos-la.
Zelar pelas imagens sacras que temos em nossas residências, colocá-las em lugares dignos e rezar diante delas também é uma atitude importante. Sabemos claramente que aquelas imagens não são os santos e nem são Deus, mas sabemos igualmente que elas simbolizam ou representam Jesus, Maria, os anjos e os santos, e por isso as veneramos (veneramos e não adoramos, observe bem a diferença. A adoração é devida somente a Deus). Sabemos que nelas não está a presença de Deus, mas a contemplação delas pode sim nos ajudar a rezar e a entrar em contato com Ele. O Catecismo explica bem essa questão:
“O crente que venera a imagem venera nela a pessoa que está pintada.” (Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 477)
Ou seja, veneramos a pessoa representada na imagem e não a imagem em si, o que seria um absurdo e configuraria idolatria, que é um pecado grave contra o primeiro mandamento da Lei de Deus. Ir bem vestido(a) à Missa e aos demais momentos de oração também representa uma atitude de respeito ao sagrado. Bem vestido não significa luxo, mas sobriedade e recato. Bermuda, short, saia justa e/ou curta, calça apertada, blusa de alça, “tomara-que-caia” e camisa “regata” são exemplos de vestimentas que não combinam com a sacralidade e a seriedade da Santa Missa, e por esse motivo devem ser evitadas. É possível vestir-se bem e ao mesmo tempo de forma composta.

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