sábado, 4 de julho de 2020

Ajudar a querer bem


De Dom Lourenço de Almeida Prado, OSB, Educação para a democracia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 161.

O vício que estamos tentando caracterizar consiste basicamente na perda do sentido de comunicação ou talvez na fuga, consciente ou inconsciente, a essa tarefa. Caso típico dessa fuga é a afirmação, hoje frequente, de que se deve ensinar aquilo que a criança quer.
O professor se orienta pela iniciativa e pelo desejo da criança. "Ensina-lhe a matéria que ela quer, da forma que ela quer e na medida que ela quer". A missão do professor começa um pouco antes: cabe-lhe ajudar a criança a saber desejar. Sua função não consiste em seguir simplesmente os desejos infantis, mas em despertar nas crianças os desejos das coisas que lhes convêm.
Há um princípio filosófico, radicado na mais verdadeira estrutura da racionalidade humana, que nos previne de que nada pode ser desejado sem que seja antes conhecido. Há também uma conclusão da experiência humana que nos adverte de que o homem preocupado com objetivos que parecem urgentes corre o risco de sacrificar no altar do imediatismo as grandes promessas, as possibilidades decisivas que estão, no momento, mais distantes do olhar. Tudo isso é um desafio para o professor.

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