De Pe. Francisco Faus, Otimismo cristão hoje: diálogo com um pessimista. São Paulo: Quadrante, 2008. p. 35-37.
- Acho que a melhor resposta a essa tentação de ceticismo no-la vai dar o Papa Bento XVI. Na parte final da encíclica Deus é amor (Deus caritas est), fala de que "os cristãos continuam a crer, não obstante todas as incompreensões e confusões do mundo circunstante, <<na bondade de Deus e no seu amor pelos homens>> (Tit 3,4). Apesar de estarem imersos, como os outros seres humanos, na complexidade dramática das vicissitudes da história, permanecem inabaláveis na certeza de que Deus é Pai e nos ama, ainda que o seu silêncio seja incompreensível para nós".
E acrescenta, com palavras que convém meditar:
"A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e, assim, gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é Amor! Desse modo, Ele transforma a nossa impaciência e as nossas dúvidas em esperança segura de que Deus tem o mundo nas suas mãos e que, não obstante todas as trevas, Ele vence [...]. A fé que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita, por sua vez, o amor. Aquele amor divino é a luz - fundamentalmente, a única - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir. O amor é possível, e nós somos capazes de o praticar porque criados à imagem de Deus. Viver o amor e, desse modo, fazer entrar a luz de Deus no mundo: tal é o convite que vos queria deixar com a presente encíclica".
Utopia? As utopias são divagações sonhadoras, ou teimosos apriorismos ideológicos, divorciados da realidade. Cristo é "realista". Nunca prometeu um triunfo geral e avassalador. Ninguém melhor do que Ele conhece o caráter sagrado da liberdade que Ele próprio nos outorgou. Podemos dizer-lhe "sim" e podemos dizer-lhe "não". Ele nada quer impor-nos, apenas propor-nos: Eis que estou à porta do teu coração e bato. Se alguém escutar a minha voz e me abrir a porta, entrarei e cearei com ele... (Apoc 3,20). A liberdade de dizer "não" sempre estará na mão de todos os homens. Mas também estará a liberdade de dizer "sim" e de mudar o mundo, lavando-o num tsunami de Verdade e de Amor.
"A vida - escreve ainda Bento XVI - não é um simples produto das leis e dos acasos da matéria". Não estamos em um mundo cego, à deriva. "Em tudo e, contemporaneamente, acima de tudo - prossegue -, há uma Vontade pessoal, há um Espírito que em Jesus se revelou como Amor". Deus não deixará que o mundo se transforme num pião desvairado, mesmo que às vezes chegue à beira disso. Deus está presente e age: Meu Pai continua agindo até agora - diz Jesus - e eu ajo também (Jo 5,17). E isso não é utopia, é uma verdade prodigiosa.
"A vida - escreve ainda Bento XVI - não é um simples produto das leis e dos acasos da matéria". Não estamos em um mundo cego, à deriva. "Em tudo e, contemporaneamente, acima de tudo - prossegue -, há uma Vontade pessoal, há um Espírito que em Jesus se revelou como Amor". Deus não deixará que o mundo se transforme num pião desvairado, mesmo que às vezes chegue à beira disso. Deus está presente e age: Meu Pai continua agindo até agora - diz Jesus - e eu ajo também (Jo 5,17). E isso não é utopia, é uma verdade prodigiosa.

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