De Antonio González Roser, O Evangelho tal qual. Secretaria dos Movimentos Franciscanos: 1991. p. 12.
Assim como o próximo e a Eucaristia, a Bíblia é um lugar privilegiado para encontrar-nos com Deus. Não é um livro de citações, mas um lugar de referência. Por isso, conhecer a Bíblia é como conhecer uma pessoa:
Todos nós temos uma fachada. É como a nossa face externa. Saber o nome, o endereço e o trabalho de alguém, conhecer sua fisionomia, identificar sua voz já é alguma coisa, mas ainda falta muito para dizer que já se conhece a pessoa.
Existe também um conhecimento superficial da Bíblia: identificar seus livros, saber o que se maneja, reconhecer seus autores, identificar as grandes etapas do Antigo e do Novo Testamento. É por aí que se começa, mas não é o bastante.
Uma pessoa nós vamos conhecendo à medida que convivemos com ela e que vamos sabendo, aos poucos, como realmente ela pensa e sente. Com a familiaridade descobrimos o Eu-real que se esconde por detrás da fachada. Quando conhecemos alguém, começamos a aceitá-lo e a estimá-lo.
Também com a Bíblia ocorre uma coisa parecida. Começamos a conhecê-la e entendê-la quando estudamos sua história, quando deciframos o pano de fundo que se esconde por detrás das palavras e das formas literárias, quando descobrimos que o mesmo Deus que atuava na história de Israel e de Jesus está vivo e atuante em nossa história pessoal e social. Quem aprende a descobrir a mensagem escondida atrás da literatura e da história chega ao Eu-real da Bíblia. Descobre o rosto de Deus.
Quando uma relação se aprofunda em forma de espiral sem fim, as pessoas chegam a fundir-se em um só coração e um só projeto de vida, sem que cada uma renuncie à sua personalidade própria. É o caso dos casais que decidem compartilhar juntos a vida, ficando "imbuídos" um do outro.
Quem lê, estuda, compartilha e reza com a Bíblia, procurando sinceramente colocar a mensagem na vida, pouco a pouco vai mudando o seu coração, sua maneira de pensar e de viver, assemelhando-se cada vez mais a Jesus, o cume e a síntese de toda a Revelação. Isto é a conversão. Esse o caminho que nos leva à Vida. Então a Bíblia, juntamente com o próximo e a Eucaristia, que são uma mesma coisa, chega a ocupar o centro da vida. Paulo o expressou assim: "Tudo tenho por perda e lixo, quando comparado com a grande oportunidade de conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor". (cf. Fl 3, 7-8)

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